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SÃO PAULO – Após rebaixar a nota do Brasil para o primeiro nível sem grau de investimento, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s realizou nesta quinta-feira (10) uma teleconferência para dar detalhes sobre o corte. Segundo a S&P, o sentimento é que a dinâmica da economia piorou desde que eles cortaram a perspectiva para negativa no dia 28 de julho.
A diretora Lisa Schineller ressaltou que a dinâmica política será usada como “gatilho” para um possível novo corte, mas que não há uma previsão para uma nova ação relativa ao rating, sendo que, em geral, a perspectiva negativa “fala em um horizonte de um ano”. “Devemos olhas a composição das medidas planejadas pelo governo, ver se são duradouras”, ressaltou. Assim como no anúncio de ontem, a S&P afirmou que seu cenário base não conta com um impeachment da presidente Dilma.
Schineller destacou os esforços do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, dizendo que ele faz o que pode em corte de despesas, mas que isto tem sido pouco para ajudar o País. A agência falou ainda sobre o aumento dos riscos para a execução dos planos fiscais do governo. Segundo a diretora, a S&P pode revisar a perspectiva para estável caso ocorra uma melhora política, fiscal ou do PIB.
A diretora diz que vê o governo preparando uma série de medidas para mandar para o Congresso, mas que no atual contexto político essas medidas deverão enfrentar dificuldades para serem aprovadas. “Continuamos a ver desafios para o crescimento do Brasil”, disse durante a conferência. Apesar disso, ela ressalta a ideia de que a perspectiva negativa coloca riscos para novos corte do rating.
Schineller afirma que o crescimento do Brasil está abaixo de seus pares que isso piora “todo o quadro em termos da nota de crédito”. “No começo do ano, achávamos que havia comprometimento com o ajuste”, disse.
A agência de rating disse que, entre as companhias brasileiras, a Petrobras é considerada “chave” e que o perfil de crédito da estatal tem se deteriorado.