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SÃO PAULO – Os principais mercados acionários do globo registram queda nesta segunda-feira (8) como reflexo do corte do rating AAA dos EUA pela Standard & Poor’s, para AA+.
No entanto, para Miguel Daoud, sócio da Global Financial Advisor, a reação dos mercados ocorre, agora, pela expectativa de novos cortes no rating da dívida de países da Europa, como Espanha e Itália. “Pode ocorrer nessa semana”, avisa. “Uma vez que a dívida norte-americana é rebaixada, tem que rebaixar outros países também”, afirma Daoud, o qual não concorda com a decisão da S&P.
Segundo Daoud, a situação fiscal norte-americana é grave, mas é contornável. Portanto, a decisão foi baseada em fatores políticos, uma vez que o Congresso revelou grande dificuldade em se chegar a um acordo quanto ao aumento do teto da dívida dos EUA.
Reação exagerada dos mercados
No entanto, enquanto tal perspectiva de outros cortes não se consolida, o evento isolado do corte do rating norte-americano deve pressionar um pouco o Ibovespa, mas este não deve cair muito mais, indica o sócio da Global Financial Advisor. “A partir de agora não vejo razão para cair muito mais”, revela.
Já Bruno Lembi, sócio da M2 Investimentos, classifica o movimento recente do Ibovespa como exagerado. “Já existem ativos com preços interessantes, mas no momento do pânico vemos uma saída maciça de ativos de risco, e não será diferente aqui no Brasil”, argumenta.
Demanda por título dos EUA aumenta
Desta forma, o aumento na demanda por títulos do tesouro dos EUA após o corte não é absurda, já que é explicada pela fuga de ativos de risco para outro ativo considerado seguro.
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“O mundo ainda vê o tesouro dos EUA como reserva de valor. Apesar do corte, ainda é um dos títulos mais seguros mundialmente falando e é o único que consegue absorver toda a liquidez mundial”, diz Lembi. Tal movimento se reflete também na relação cambial. O dólar comercial registra valorização de 0,82% sobre o real nesta segunda-feira, conforme cotação das 10h50 (horário de Brasília).
Fundos de invetimento não são afetados
Por fim, há a preocupação com relação a fundos de investimento, uma vez que muitos deles, como fundos de pensão, preveem em seu regulamento investir apenas em títulos com nota AAA. No entanto Daoud explica que, normalmente, a regra estipula que para investir em determinado título o rating triplo A deve ser concedido por ao menos duas duas agências.
A Moody’s já confirmou o rating AAA dos EUA, ao passo que a Fitch – a qual se pronunciou no início deste mês acerca do risco de default “extremamente baixo” – ainda deverá se pronunciar, apesar de que Daoud acredita que não haverá o corte. Mas, “se a Fitch rebaixar, aí sim a situação se agrava. Por enquanto, não é tão grave assim”, explica.