Justiça

Somente aeronaves da Laep valem mais que a própria empresa

Balanço da Laep revela que o valor do seguro das aeronaves chega a R$ 52,3 milhões; já o mercado atribui o preço de R$ 39,7 milhões à própria empresa

Por  Lara Rizério

SÃO PAULO – O valor de mercado da Laep (MILK11), controlada pelo empresário Marcus Elias, já é menor do que o das aeronaves da companhia. Segundo o balanço do primeiro trimestre divulgado pela companhia, as aeronaves da Laep estão seguradas pelo valor de R$ 52,3 milhões. Já a própria Laep tem um valor de mercado de R$ 39,7 milhões, segundo a Bloomberg. 

Pelo balanço, não é possível saber quais aeronaves a empresa possui nem se todas têm seguro. O montante de R$ 52,3 milhões serve de referência apenas para as aeronaves que possuem seguro, ainda que, em algumas apólices, a cobertura contratada possa ser um pouco maior ou menor do que o valor do bem. Procurado pelo portal InfoMoney, o diretor de Relações com Investidores da companhia não foi encontrado para comentar o assunto.

Os bens da empresa e de Marcus Elias foram bloqueados pela Justiça Federal, em processo movido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Ministério Público. Acionistas minoritários da empresa dizem que foram lesados pela companhia. A Laep prometia se tornar a campeã nacional do setor de leite, mas, após uma série de grupamentos, aumentos de capital, tentativas de incorporação e operações financeiras pouco transparentes, só vem apresentando seguidos prejuízos. Caso a Justiça dê ganho de causa aos minoritários, os bens da Laep poderão ser vendidos para que os acionistas sejam ressarcidos.

Em meados de maio, a Laep entrou com um mandado de segurança contra o delegado da Polícia Federal, em São Paulo, informou a coluna Radar, da Veja. O juiz da 6ª Vara Criminal de São Paulo, José Fernandes Neto, indeferiu o pedido. Segundo a publicação, a defesa de Elias teme que seja pedida a qualquer momento a prisão do empresário. 

Vale ressaltar que, no começo de abril, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região negou o recurso da Laep e de seu controlador Marcus Elias contra o bloqueio de bens, segundo documento de 22 de março. O bloqueio de bens foi aprovado pelo Juízo da 5ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de São Paulo em 6 de março.

O caso Laep
Para minoritários, a companhia estaria se aproveitando de sua condição de estrangeira – já que é sediada em Bermuda – para conseguir aumentos de capital. Sem minoritários presentes nas reuniões, Elias conseguiria aprovar tudo o que quisesse. A emissão de ações foi tamanha que o detentor de 1% das ações da Laep em 2007 hoje detém uma participação inferior a 0,01%

A defesa alega que a Laep esteve sempre dentro da lei, e que seus problemas são frutos da entrada em mercados complicados, como o de latícinios, onde é detentora da marca Parmalat.

Os resultados da Laep não são bons, prejudicada principalmente perdas billionárias com a LBR e a Daslu. Fundada em 1992, a Laep só registrou lucro em 2011 desde que abriu o capital, levando a uma situação patrimonial calamitosa – desculpa de Elias para os sucessivos aumentos de capital. Por conta de toda essa situação, a empresa acumula perdas de 99,9% desde a abertura de capital, já que seu preço máximo chegou a ser de R$ 820,00, ajustando o preço histórico para os grupamentos de ações realizados. 

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