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SÃO PAULO – O Société Générale demonstrou uma posição neutra com relação aos ativos relacionados às commodities, adotando postura um pouco mais cautelosa sobre o assunto. “Estamos esperando uma correção para rebalancear nossa posição”, explica o banco.
Algumas “forças” pressionam os preços das commodities em direções opostas, indica o relatório, assinado pelos analistas Jesper Dannesboe e Remy Penin. Enquanto o alívio quantitativo nos EUA e a consequente queda do dólar devem contribuir para uma valorização, uma desaceleração da economia norte-americana pode puxar os preços no sentido contrário.
Além disso, a flexibilização quantitativa do Federal Reserve, que tem como uma das metas impulsionar as perspectivas de inflação, também pode aumentar a propensão para tomada de risco, o que ajudaria as cotações dos metais básicos. “O ouro pode continuar a ser comprado como forma de hedge contra o risco da inflação”, explicam.
Economia em retração
Os analistas do banco chamam a atenção para que os investidores não demonstrem otimismo exagerado com o indicador ISM atingindo níveis próximos a 48 em breve, o que indicaria retração da economia dos EUA. “Os preços das commodities são cíclicos e tendem a aumentar em linha com a demanda durante a expansão econômica, e tendem a cair durante a contração econômica”, escrevem os analistas.
No entanto, situações anormais, nas quais os preços das commodities disparam enquanto a economia retrai, como ocorreu em 2008, nunca duram muito tempo, ressaltam os especialistas. “Se o ISM Index cair para baixo de 50, não espere um rali das commodities”, afirma o banco.
Segundo a dupla de análise, o atual cenário, no qual há uma falta de tendência no mercado, é resultado de mudanças de estratégia dos investidores, os quais alternam entre exposição ao risco e diminuição da exposição.
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Commodities metálicas
Porém, o banco afirma que as commodities são um bom investimento para se manter exposto aos mercados emergentes, devido às perspectivas de elevação na demanda destes países por tais produtos. “Enquanto a demanda por petróleo é direcionada pelos EUA, a demanda para metais é mais orientada pela China”.
O relatório também chama a atenção para um estudo realizado pelo banco, no qual aponta o fato de que as commodities metálicas são orientadas basicamente pelo desempenho dos índices de ações e pelo mercado de câmbio, com destaque para o níquel, cujos preços apresentam uma sensitividade destes itens em 95%.
Petróleo e agrícolas
Por outro lado, o dólar é o principal fator para o petróleo, contribuindo em 63% e 65% para a relação com o preço do barril Brent e do WTI, respectivamente. Em relação à commodity, os analistas fazem um alerta: “cuidado com o petróleo, já que os hedge funds já estão excessivamente comprados”.
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Além disso, o Société também afirma que as commodities agrícolas, bastante sensíveis ao equilíbrio demanda/ oferta, podem estar sofrendo pressões de alta devido a problemas de produção na Rússia. “Venderíamos nesse momento de alta”, conclui o banco.