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SÃO PAULO -“Apesar de preocupações externas, indicadores menos animadores no segundo trimestre e aperto monetário, o momentum doméstico ainda é forte”. Com essa justificativa, os analistas do banco francês Société Générale elevaram as projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro neste ano, passando de expansão de 6,6% para alta de 7,2%.
Além disso, a equipe descartou o cenário duble dip (recuperação em forma de W), manteve as projeções para a economia global neste ano (expansão de 4,4%) e reduziu a expectativa para o PIB dos EUA, de alta de 3,7% para 3,1% em 2010. Para o ano que vem, ambas estimativas foram reduzidas, de 4,0% para 3,9% para a economia global, e de 3,1% para 2,7% para os EUA.
O nome do jogo
Assim como outros bancos internacionais, o Société Générale destacou o impressionante indicador do primeiro trimestre no Brasil, quando o PIB subiu 9% na base anual. E, também como outros analistas, ressaltou que o ótimo momento da demanda doméstica – apoiada por crescimento no crédito, maiores transferências governamentais e a dinâmica do mercado de trabalho – deve continuar no segundo semestre. Entretanto, a visão é que esse crescimento “chinês” não é sustentável.
Por que? “A utilização da capacidade industrial está acima da média de cinco anos e se aproximando do pico de 2008. Os dados do mercado de trabalho sugerem que a ociosidade está esgotada, com a taxa de desemprego abaixo do nível natural de 7%”, sustentam os analistas. Assim, a política monetária é elogiada e a equipe afirma que o Banco Central deve continuar elevando a taxa Selic, dadas as pressões inflacionárias.
Outro ponto fundamental é que apesar do cenário externo incerto, com maior aversão ao risco, a equipe acredita que as forças domésticas vão ofuscar a fraca demanda externa, com a atividade mantendo o ritmo sólido nos próximos meses. Para 2011, a expectativa de crescimento da economia brasileira é de 4,6%.
Sem double dip
Com a economia norte-americana já operando substancialmente abaixo da capacidade, a visão de uma demanda reprimida – que torna cortes nos gastos mais difíceis de serem atingidos -, ganhos nominais moderados e de inflação branda, a equipe do Société Générale acredita que, na ausência de um “choque de riqueza”, o douple dip está fora do cenário.