Société Générale debate riscos e consequências de novos estímulos do Fed

Analista vê grandes possibilidades de estímulo à demanda externa e piso à inflação, mas revela temores com depreciação do dólar

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SÃO PAULO – Diante da proximidade do anúncio do Fed (Federal Reserve) quanto à segunda rodada de flexibilização quantitativa para a economia norte-americana – conhecida como “QE2” -, a equipe do Société Générale pondera quais podem ser as medidas implantadas pela autoridade monetária e seus possíveis impactos.

“O QE2 será fundamentalmente diferente do QE1 (referência à primeira rodada de flexibilização), uma vez que este foi lançado com o intuito de expandir a oferta de crédito, enquanto a nova rodada influenciará as expectativas de demanda e inflação”, observa Aneta Markowska, analista a cargo do relatório do banco.

Ela observa ainda que, enquanto a primeira rodada de flexibilização implicou riscos reduzidos à maior economia do globo, o QE2 é completamente diferente, uma vez que acarreta grandes incertezas e medidas cujos resultados são difíceis de mensurar.

Projeções
Passando das comparações às possibilidade de êxito, Markowska acredita que haverá “impacto limitado” na demanda doméstica com as novas medidas, mas vislumbra grandes potenciais de sucesso no estabelecimento de um piso às expectativas de inflação e no estímulo à demanda externa.

Quanto aos estímulo à demanda externa, a principal consequência – ou sua causa – seria uma depreciação da divisa norte-americana, fato que implica em “riscos significativos”: “estamos certos de que os investidores estrangeiros detentores de Treasury não irão gostar do QE2 e o enxergarão como um esforço visando a depreciação do dólar”.

Fuga das Treasuries?
Com o risco em mente, a analista debate a seguinte pergunta: “o que estes investidores farão a este respeito?”. Dentre as possibilidades, a de maior risco aos EUA seria uma diversificação, por parte destes investidores, “longe de ativos em dólares”, fato que poderia ser problemático ao Fed, uma vez que enfraqueceria seus esforços no sentido de reduzir a curva de yield (retorno) das Treasuries. “Estes investidores seriam pressionados a venderem seus ativos”.

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Abaixo as possíveis medidas a serem adotadas pelo Fed, segundo o Société Générale:

Ferramentas Impacto Comentário do analista
Maior liquidez no sistema Sem impacto “Os bancos já possuem reservas de US$ 1 trilhão. É improvável que ainda mais capital eleve a oferta de crédito”
Reduzir a curva de yield Positivo, mas muito modesto “As taxas de hipotecas podem cair, mas não é claro como isto auxiliaria. As taxas já estão em sua mínima histórica”
Elevar os ativos de maior risco Potencialmente significativo “Reduzindo os yields das Treasuries, o Fed conduz os investidores para ativos de maior risco. À medida que a estratégia eleva os preços dos ativos, isto poderia reduzir as pressões sobre o mercado imobiliário”
Implantar um piso sob a expectativa inflacionária Chave “Aqui vemos o QE2 como possuindo seu principal potencial de êxito”
Depreciar o dólar Útil, mas traz riscos “QE2 pode estimular a demanda externa, mas isto implica em riscos”