Sob ameaça de volatilidade e incertezas com Grécia, bolsas voltam a cair

Esperanças de acordo sobre participação de credores privados em uma reestruturação da dívida grega foram postergadas

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SÃO PAULO – Em novo revés, os mercados de ações internacionais voltam à ativa nesta segunda-feira (30) ainda pressionados pelas indefinições sobre a ajuda financeira à Grécia.

As esperanças de um acordo – especialmente sobre a participação dos credores privados em uma reestruturação da dívida – foram postergadas no último fim de semana, após o Eurogrupo, que reúne os ministros de finanças da Zona do Euro, estabelecer como data final para uma solução do impasse o início de julho.

Seguindo a tendência dos futuros em Wall Street, as principais bolsas europeias registram baixa. O índice CAC 40, da bolsa de Paris, registra perda de 1,23% e atinge 3.777 pontos; no mesmo sentido, o índice DAX 30, de Frankfurt, cai 0,98% chegando a 7.094 pontos e o FTSE 100, da bolsa de Londres, tem desempenho negativo de 0,86%, a 5.666 pontos.  

Avanço?
Todavia, alguns analistas interpretaram o comunicado divulgado como um avanço, especialmente no que diz respeito à flexibilização da posição da Alemanha sobre a divisão de custos entre os setores público e privado – o que para muitos, como o presidente do BCE (Banco Central Europeu) Jean-Claude Trichet, traria riscos aos mercados por ser considerado um “calote” velado.

“O resultado mais provável ainda é que um novo pacote entre € 85 bilhões e € 120 bilhões em três anos seja proposto até meados de julho”, preveem os analistas do Société Générale, Michala Marcussen e James Nixon. “Mas isto não colocará um fim à crise da dívida na Zona do Euro”, ponderam.

Além dos acordos entre líderes europeus, a agenda da semana traz o foco para o cenário político grego, com a votação da moção de confiança sobre o governo agendada para a próxima terça-feira. “Será muito importante para os mercados, pois os riscos políticos à solução para o financiamento grego dependem cada vez mais de Atenas”, aponta o analista do Danske Bank, Kasper Kirkegaard.

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Em sua avaliação, “a ameaça maior ao desembolso da próxima parcela de ajuda é a capacidade da Grécia em aprovar as medidas de austeridade fiscal acordadas”, revelou relatório.

Mais riscos
Ainda na Europa, os investidores incorporam as incertezas sobre a situação fiscal italiana, após o rating Aa2 do país ter sido colocado sob revisão para possível corte na última sexta-feira pela agência de classificação de risco Moody’s. A fraca agenda de indicadores nos EUA, por outro lado, deve contribuir para um clima mais ameno na sessão.

Não bastassem as adversidades externas, o investidor vai se deparar nesta sessão com os vencimentos de opções sobre ações, “o que poderá contribuir para a continuidade do ambiente volátil na bolsa brasileira”, afirmou Marco Melo, chefe de análise da corretora Ágora.

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Outro fator de peso no cenário de riscos domésticos tem sido a perspectiva de inflação. Todavia, a mediana das projeções de analistas ouvidos no relatório Focus, do Banco Central, voltou a recuar, indicando uma alta dos preços medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) de 6,18% em 2011.