Smart Fit (SMFT3): por que mercado está otimista mesmo após abalo recente das ações?

Analistas ainda veem espaço para crescimento e veem desafios como pontuais

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Divulgação: Smart Fit
Divulgação: Smart Fit

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Na última quinta-feira (15), as ações da Smart Fit (SMFT3) tiveram um movimento que intrigou boa parte do mercado, fechando com baixa de 8,17%.

A baixa foi atribuída a falas de executivos em evento fechado sobre a dificuldade em crescer margem esse ano, ao mesmo tempo em que surgem notícias sobre maior concorrência no setor.

Passados alguns dias e com o mercado já de olho na divulgação de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25), em 11 de março, analistas destacam a sua visão para as ações com visão positiva.

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O Safra manteve recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 33,50, destacando que vê o mercado de academias de ginástica com espaço para crescer – tanto no Brasil quanto no México.

Para os analistas, no Brasil, o cenário base sugere o potencial de abertura de aproximadamente 1.780 novas academias. Aplicando a participação de mercado de cerca de 48% da Smart Fit no país, isso se traduz em cerca de 850 novas unidades Smart Fit, comparadas ao portfólio atual de 978 unidades.

Já o cenário otimista sugere oportunidade para 2.061 novas academias (980 SMFT com participação de 48%), enquanto o cenário pessimista ainda aponta para 1.647 aberturas (783 SMFT com 48%), ainda reforçando um robusto caminho de crescimento.

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No México, o Safra vê potencial para 1.000 novas academias, o que pode significar cerca de 620 novas unidades Smart Fit considerando a participação de cerca de 62% no país, comparado ao portfólio atual de 478 unidades.

“De modo geral, esses resultados reforçam a tese do Banco Safra de que a Smart Fit possui amplo white space para expansão, sustentando a projeção de taxa de crescimento anual composta (CAGR) de receita de 23% e CAGR de lucro de 31% para 2024–2027″, avaliam os analistas do banco.

O BTG Pactual também tem recomendação de compra para os papéis e destaca que a SmartFit, desde sua oferta pública inicial (IPO) em 2021, é uma das principais empresas em expansão em nossa cobertura, apresentando consistentemente uma forte expansão da receita líquida combinada com alavancagem operacional.

“Após a recente queda no preço das ações — impulsionada por uma combinação da natureza cada vez mais consensual da projeção e pequenas revisões para baixo nas estimativas —, vemos a SMFT sendo negociada a 13 vezes o P/L [preço sobre lucro] para 2026, enquanto esperamos que o LPA [lucro por alão] cresça 25% este ano (32% CAGR 2025-28), tornando-a uma das teses mais atraentes em nossa cobertura”, avalia.

O banco destaca que a SmartFit implementou aumentos de preços em seu plano Black, aplicado globalmente em todas as unidades no Brasil e na Colômbia, reforçando a disciplina de precificação em um mercado ainda fragmentado.

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Enquanto isso, o TotalPass continua sendo um dos elementos mais debatidos da história da SmartFit. Os usuários do TotalPass representaram cerca de 13% do total de clientes em 2024, mas apenas cerca de 9% da receita, o que implica uma diferença de cerca de 40% na receita média por usuário (ARPU) em relação às academias tradicionais. A administração espera que essa diferença diminua para 25-30%, à medida que as diferenças de preços entre os níveis do TotalPass (TP2) e os planos diretos de academia são reduzidas.

Embora a SmartFit não possa controlar totalmente o uso dependente — cada assinatura corporativa pode se estender a até três usuários adicionais —, os números da plataforma continuam atraentes, avalia a equipe de análise.

De acordo com as suas estimativas, com cinco visitas por usuário por mês, o TotalPass oferece uma margem de contribuição de 71% e recupera o CAC (Custo de Aquisição de Cliente) em menos de um mês, apoiado pelo fato de que 30-40% dos check-ins ocorrem nas próprias academias da SmartFit, com um custo de transferência interna muito menor.

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Na mesma linha, o Jefferies aponta que o mercado ficou aflito com o ambiente competitivo das academias, especificamente o papel dos agregadores, como o Gympass/Wellhub e a TotalPass, nas margens do setor. Os clientes vindos dessas plataformas pagam menos; enquanto isso, concorrentes da Smart Fit estão mais expostos, uma vez que têm uma dependência estrutural de agregadores terceiros, operando com rentabilidade menor.

Contudo, avalia que a pressão recente sobre a margem bruta da Smart Fit é passageira e tende a se dissipar conforme o TotalPass continua ganhando escala. A visão é de que o TotalPass amplie as fontes de receita da Smart Fit, por meio de contratos corporativos de longo prazo, menos expostos a oscilações econômicas de curto prazo e importantes para sustentar o ritmo de abertura de novas unidades. O Jefferies também tem recomendação de compra para Smart Fit, com preço-alvo em R$ 30 e ressaltou que a queda da quinta-feira foi exagerada.

“Estrategicamente, a SmartFit está priorizando o controle do ecossistema, evitando a “guerra de preços” observada em outros lugares quando 50-70% da demanda muda para agregadores de baixo preço (reduzindo significativamente o poder de precificação de seus concorrentes). Nesse sentido, o TotalPass é menos um empecilho para a margem e mais uma barreira defensiva e ofensiva”, apontam os analistas do BTG.

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Apesar de um ciclo macroeconômico potencialmente mais difícil no Brasil, as novas academias continuam a superar as unidades maduras devido aos aluguéis e despesas operacionais mais baixos, enquanto as curvas de evolução permanecem iniciais, especialmente após a intensa programação de inaugurações em dezembro.

O BTG aponta que a administração reconhece que as margens brutas consolidadas em 2026 podem ser ligeiramente mais fracas em relação a 2025, impulsionadas pelo mix de agregadores (já que o TotalPass está ganhando escala mais rapidamente), mas espera que a diluição das despesas gerais, administrativas e de vendas (SG&A) compense esse desafio, com a alavancagem financeira permanecendo amplamente estável. “Na visão da administração, um cenário macroeconômico mais fraco poderia até consolidar o setor, forçando a saída de concorrentes menores e abrindo oportunidades imobiliárias de qualidade”, avaliam os analistas.

O banco aproveitou a oportunidade para atualizar as estimativas, cortando o preço-alvo para 2026 de R$ 32 para R$ 30, reduzindo em 1% a projeção da média para o lucro líquido entre 2025-2028.

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Mesmo assim, diz o BTG, a Smart Fit continua a se destacar como uma das principais histórias de crescimento no varejo da América Latina. A tese de investimento é apoiada por: (i) escala incomparável em toda a região; (ii) números de alto retorno com margens em melhoria por meio da alavancagem operacional; e (iii) exposição a um mercado fragmentado com espaço para consolidação. “Apesar dos riscos de curto prazo — condições macroeconômicas difíceis em algumas regiões, canibalização e intensificação da concorrência —, projeta um atraente CAGR de 32% para o LPA (2025-28). Em nossa opinião, a SmartFit continua sendo uma história única de crescimento de long duration na América Latina, com liquidez em melhoria nos últimos meses, e reiteramos nossa recomendação de compra”, aponta a equipe de análise.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.