DIRETO DA BOLSA

Small cap sobe 124% e OSX cai 7%; os 12 destaques da Bolsa antes do Brasil x México

Entre os destaques, a Cetip caiu 2% após dados operacionais de maio, enquanto a BB Seguridade recuou 2,5% após ser rebaixada pelo Bradesco BBI

Por  Thiago Salomão

SÃO PAULO – Em dia de pregão mais curto na Bolsa, o Ibovespa fechou no negativo pressionado por Petrobras (PETR3, R$ 17,29, -1,93%; PETR4, R$ 18,32, -2,24%) e bancos, que caíram mais de 1%. Foram 4 ações fechando com queda de mais de 2% e 4 com ganhos de mais de 2%, com destaque para a Oi (OIBR4, R$ 2,19, +3,79%), que liderou os ganhos do índice.

No caso da Petrobras, pesa o cenário de conflitos no Iraque, onde a maior refinaria de petróleo do país, em Baiji, foi fechada e seus funcionários estrangeiros foram retirados do local, segundo autoridades, que acrescentaram que os empregados locais permanecem em seus postos e que os militares ainda controlam a instalação. Apesar da cotação do petróleo ficar perto da estabilidade nesta sessão, o preço da commodity está perto da máxima em nove meses, por volta de US$ 107,00.

E estes altos preços afetam as ações da petrolífera, uma vez que a estatal importa combustível vendando no Brasil a preços menores do que os internacionais, o que vem pressionando o caixa da empresa, conforme ressalta o analista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira. Isso contribui negativamente, avalia o analista, ainda mais levando em conta as fortes altas registradas com o rali eleitoral, que fizeram os ativos da estatal dispararem: agora, os investidores aproveitam para reembolsar os lucros. Cabe lembrar que, em menos de três meses, os papéis da Petrobras dispararam quase 60% e sobem cerca de 9% no ano.  

Gol (GOLL4, R$ 12,17, -0,08%)
Outra empresa prejudicada pela situação no Iraque é a Gol – que se recuperou após chegar a cair 2,13%. Com as crescentes tensões na região, aumentam os preços de um dos maiores fatores de custo para a companhia aérea, o querosene, que é derivado do petróleo e usado como combustível para as aeronaves.

Além disso, destaca Pereira, a empresa informou na semana passada  que a oferta em seu sistema total caiu 5,7% na comparação anual em maio, o que contribui para o desempenho negativo do índice. A demanda do sistema total subiu 6,4%. A taxa de ocupação caiu para 74,5%, ante 76,1% em abril.

Cetip (CTIP3, R$ 31,11, -2,11%)
As ações da Cetip ficaram com as maiores quedas do índice, após a instituição ter disponibilizado ontem os dados operacionais referentes ao mês de maio. De acordo com a equipe de análise da XP Investimentos, observando o desempenho da instituição, pode-se observar uma redução significativa no ritmo de registro dos ativos de renda fixa e derivativos (DI, CDB, Swap e outros). O volume referente ao DI foi de R$ 262,2 bilhões, CDB em R$ 209 bilhões e swap em R$ 266,3 bilhões, impactado pelo menor ritmo de crescimento das carteiras de crédito e apetite por captação das instituições financeiras.

Em termos de custódia final, o ativo continua apresentando um ritmo de crescimento em linha com o histórico, na base anual. O segmento de Transações, Utilização e TEDs se manteve em ritmo estável, sem grande variação com relação a outros períodos. Na divisão de venda de veículos, houve uma recuperação considerável (na base anual). Já com relação ao segmento de gravames (SNG e Sircof), houve uma recuperação e estabilidade, ressalta a equipe de análise. 

Se o investidor esperava um dia morno na Bolsa, já que a sessão será encurtada nesta terça-feira com o jogo do Brasil, ele se enganou: uma small cap agita o mercado e é um dos destaques do dia com alta de 75,86%, sendo cotadas a R$ 0,51, às 11h28 (horário de Brasília), e atingem seu maior patamar desde junho de 2013, após anúncio de acordo com outras empresas.

Sul América (SULA11, R$ 16,10, -3,01%)
Até 2016, o ING vai vender suas participações em seguradoras, inclusive os 10% na SulAmérica, como parte do plano de seu presidente, Ralph Hamers, para voltar a ser um “banco puro”. O banco precisa se desfazer completamente de seus investimentos em seguradoras, incluindo a participação de 10% que ainda tem no capital da brasileira SulAmérica, até o ano estipulado. A venda desses ativos faz parte da reestruturação em que o ING mergulhou após a crise financeira de 2008. 

“A declaração não representa uma expectativa negativa para o modelo operacional/financeiro da instituição SulAmérica. Trata-se de um plano de reestruturação do grupo ING”, ressalta a equipe de análise da XP Investiementos. Segundo eles, o importante a ser ressaltado “é uma possível perda de know-how com a redução da parceria entre as instituições”. Porém, para a corretora, o mercado de seguros e a própria Sul América, continuam com boas perspectivas para o ano.

BB Seguridade (BBSE3, R$ 31,91, -2,54%)
Entre as maiores quedas do dia, destaque para o BB Seguridade, que caiu forte após ter sua recomendação cortada para market perform (em linha com o mercado) pelo Bradesco BBI. Apesar do desempenho negativo de hoje, os papéis da companhia ainda acumulam ganhos de 33% em 2014, enquanto nos últimos 365 dias, a valorização chega a 84%.

Dtcom (DTCY3, R$ 0,65, +124,14%)
A Dtcom anunciou uma parceria com ISAE (Instituto Superior de Administração e Economia do Mercosul) para um projeto piloto, voltado ao setor de saúde, denominado UNIPRÓ Saúde, que tem como objetivo a venda de cursos especializados aos profissionais da área, através de plataforma e-commerce. O projeto será sustentado por dois pilares: desenvolvimento de cursos de alta relevância e estrutura acadêmica e tecnológica de excelência.

A receita da venda dos cursos será destinada aos pagamentos dos custos operacionais das partes, sendo que o resultado da operação será dividido de acordo com a participação de cada empresa no projeto. 

Além deste, a empresa anunciou outra acordo: a E-MARKET, elegeu a empresa como parceira de negócios, tendo como objetivo a oferta das soluções da empresa E-DOCEO. “A DTCOM aposta em uma forte aceitação das soluções ofertadas ao mercado consumidor, por esta razão dispõe a envidar seus esforços comerciais para expansão do projeto em âmbito nacional”, informa a empresa por meio de comunicado enviado ao mercado nesta terça-feira.

Locamerica (LCAM3, R$ 4,27, 0,00%)
Os controladores diretos da Locamerica, Luis Fernando Memoria Porto e Sérgio Augusto Guerra de Resende, usaram cada um 12,29% das ações do capital social da companhia como garantia para “operações financeiras particulares”. Ao todo, essa quantia resulta em 30.585.842 papéis, o que representa R$ 129,4 milhões, levando em conta o atual preço deles – R$ 4,23 por ação.

Segundo comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), ambos deram essa quantia como “seguro por meio de alienação fiduciária”. Cada um dos controladores detém 23,5% dos papéis da empresa e os 53% restantes está no “free float” (ações em circulação no mercado), segundo informações do site de RI da empresa.

Ainda no comunicado, a empresa informa que “a operação comunicada visa apenas cumprir disposições contratuais relativas às referidas operações financeiras celebradas e não objetiva alterar o controle acionário ou a estrutura administrativa da Companhia”.

Gradiente (IGBR3, R$ 5,68, -4,54%
Fora do Ibovespa, aparece a IGB Eletrônica, que cai forte pelo 3º dia seguido. Na sexta-feira, ela caiu 9% após a Apple derrotar a Gradiente em julgamento de segunda instância pelo direito da marca iPhone e ontem fechou com queda de 7,2%. O juiz da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais decidiu pela inviabilidade de alterações no plano de recuperação extrajudicial da empresa que controla a Gradiente, extinguindo o processo, segundo comunicado ao mercado divulgado nesta terça-feira. A companhia informou, por sua vez, que irá recorrer, já que se trata de uma decisão de primeira instância.

A Gradiente havia feito pedido de registro da marca em 2000, mas só recebeu o reconhecimento sobre o iPhone do Inpi em fevereiro do ano passado. Neste meio tempo, mais precisamente em 2007, a Apple empreendeu o lançamento mundial de sua marca de mesmo nome. Quando o pedido de sua rival brasileira foi aprovada pelo próprio Inpi, a companhia americana entrou com um processo na justiça contra o instituto e a Gradiente contra a decisão. Em primeira instância, a Justiça carioca concluiu em favor da Apple.

São Martinho (SMTO3, R$ 39,38, -0,78%)
A São Martinho teve um lucro líquido de R$ 6,428 milhões no quarto trimestre do ano-safra 2013/14, encerrado em 31 de março, uma retração de quase 50% frente o ciclo 2012/2013. Já o Ebitda ajustado (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) do trimestre pelo valor dos ativos biológicos foi de R$ 157,506 milhões, registrando alta de 2,1% sobre igual período da safra 2012/13. Enquanto isso, a receita líquida cresceu 8,5% no trimestre, para R$ 438,12 milhões.

As previsões da São Martinho confirmam que a companhia registrará resultados mais fortes neste ano, revelou o BTG em relatório. Considerando a incorporação da usina Santa Cruz, a São Martinho prevê moagem de 19,6 mi de toneladas na próxima safra, o que representa aumento de 26% na comparação anual. Isso representa 98% de utilização da capacidade instalada, o que é um marco para o setor, avaliou o banco.

Brasil Pharma (BPHA3; R$ 3,57, -4,29%)
A empresa informou que após 4 meses de negociações não foi possível um acordo entre os debenturistas da 1ª Emissão e a empresa, em Assembleia Geral, e decretou o vencimento antecipado da 1ª Emissão de Debêntures. Deste modo, a Br Pharma comunica que resgatará a totalidade das Debentures em circulação procedendo com seu consequente cancelamento.

OSX Brasil (OSXB3, R$ 0,54, -6,90%)
Após subirem 18% nos dois últimos pregões, as ações da OSX caíram forte, com os investidores digerindo o crescimento de 127 vezes no prejuízo líquido da empresa na comparação entre o 1º trimestre de 2013 e 2014.

Segundo balanço divulgado na noite anterior, o estaleiro do Grupo EBX, de Eike Batista, mostrou prejuízo de R$ 2,63 bilhões entre janeiro e março. Deste total, R$ 2,42 bilhões são atribuídos aos acionistas controladores e R$ 218 milhões aos não controladores. O impacto no resultado veio da provisão para redução do valor recuperável de ativos (impairment) no valor de R$ 2,51 bilhões, sendo R$ 2,17 bilhões para Unidade de Construção Naval da OSX (UCN Açu) e R$ 345,8 milhões para a unidade FPSO OSX-2.

Em plano de recuperação judicial, apresentado no mês passado, a companhia de Eike Batista propôs pagar os credores listados no processo ao longo de 25 anos, incluindo um período de carência de três anos. A companhia entrou em processo de recuperação judicial após a derrocada de sua empresa irmã, do setor de petróleo, a OGX (OGXP3), que falhou em cumprir projeções de produção, afugentando investidores.

No trimestre, a receita líquida total da OSX foi de R$ 118,1 milhões, ante R$ 96,1 milhões um ano antes. O resultado financeiro da empresa ficou negativo em R$ 108,6 milhões, ante negativo em R$ 5,8 milhões um ano antes. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) entre janeiro e março foi negativo em R$ 2,45 bilhões. Um ano antes, ficou negativo em R$ 12,3 milhões.

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