SLW: valorização do dólar impactaria setores como alimentos, varejo e consumo

Segundo a corretora, entre as companhias que se favoreceriam ou não está Brasil Foods, Marfrig, JBS, Positivo, Natura e AmBev

Publicidade

SÃO PAULO – As empresas brasileiras sentem os impactos do recente processo de valorização do dólar em relação ao real, tanto que, avaliando setorialmente, o analista Cauê de Campos Pinheiro, da SLW Corretora, aponta que as empresas do setor de alimentos, por serem exportadoras, ganham com a alta na cotação da moeda norte-americana e se destacam positivamente diante deste cenário. O dólar registrou valorização de 15,2% em setembro até o dia 21.

Segundo o analista, algumas empresas do setor são favorecidas. Um exemplo é a Brasil Foods (BRFS3) que possui 48% de sua receita proveniente de exportações, além de uma estrutura de custos menos afetada pela alta em dólar, por concentrar a maior parte de sua cadeia produtiva no Brasil. Vale lembrar que 52% da dívida líquida da companhia está atrelada ao dólar.

Outra empresa apontada por Pinheiro é a JBS (JBSS3). O analista observa que a empresa possui aproximadamente 84% da receita líquida consolidada atrelada ao dólar, porém 75% da cadeia produtiva se encontra fora do Brasil. A dívida líquida da companhia está distribuída em 65% em real e 35% em dólar. 

Entre as empresas avaliadas, a Marfrig (MRFG3), segundo o analista, deve ter o “resultado bastante afetado pela alta do dólar”. A companhia tem aproximadamente 76,5% de sua receita atrelada ao dólar em operações fora do País e em exportações, no entanto, 70% de sua dívida líquida está atrelada ao dólar, assim como 40% da cadeia produtiva da Marfrig.

Setor de Varejo
Já no caso do setor varejista, as empresas costumam ter dívida em moeda local variando conforme o CDI. Com a alta do dólar, contudo, a receita não deve ser afetada, pois ela é proveniente 100% do mercado interno. “Em relação aos custos, com o câmbio favorável, as companhias ampliaram a fatia de produtos importados em suas compras. Contudo, se o câmbio tornar-se desfavorável, podemos notar uma diminuição da participação desses produtos”, aponta Pinheiro.

Setor de Consumo e Bebidas
Dentro deste segmento, o analista observa que no caso da Positivo Informática (POSI3) a empresa possui aproximadamente 90% do seu custo atrelado ao dólar, mas possui hedge de 100% de seu custo, funcionando para oscilações de curto prazo. Sendo assim, Pinheiro reforça que se o dólar se mantiver em patamares superiores, a companhia vai ter o seu custo afetado e pode necessitar realizar ajustes nos seus preços.

Continua depois da publicidade

Outras empresas apontadas pelo analista são a Alpargatas (ALPA3), que tem aproximadamente 70% de sua receita vinda do Brasil e 30% de operações no exterior; Natura (NATU3) a qual a receita proveniente do Brasil atinge 90%, sendo apenas 10% do exterior, e Ambev (AMBV3) que tem 70% de receita representativa do mercado brasileiro e o restante de operações do exterior, ou seja, parte de seus custos estão atrelados ao dólar.