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SÃO PAULO – A deterioração da economia norte-americana e a demora para uma solução da crise de dívida grega vem trazendo apreensão ao mercado, que já admite a possibilidade de uma crise global. Neste cenário, os investidores buscam migrar para investimentos considerados mais seguros, como o dólar, o que desencadeou a atual escalada da divisa norte-americana e traz reflexos em diversas empresas, como as do setor de siderurgia.
Em relatório sobre o impacto da apreciação do dólar em relações às companhias siderúrgicas brasileiras, a corretora SLW apontou alguns pontos como exportações, importações, dívidas em dólar e resultados.
Produtores de aços planos
O analista Pedro Galdi avalia que, para as empresas brasileiras produtoras de aços planos, a alta do dólar tem como efeitos positivos a redução da atratividade do produto importado e a viabilidade de retomada das exportações.
A forte queda registrada pelo dólar desde o ano passado criou uma situação perigosa para essas empresas, segundo Galdi. “O preço do aço internacional passou a ficar mais atrativo, o que ocasionou uma forte entrada de aço plano importado. A diferença entre as moedas também inviabilizava as exportações, uma vez que as companhias não conseguiam margens favoráveis ao competir com os produtos com preço mais baixo do exterior”, afirma.
Por outro lado, o atual rali do dólar é negativo para as dívidas do setor, “pois os ganhos contábeis apresentados em trimestres anteriores no resultado financeiro serão revertidos à partir do 3T11”, acredita o analista. Outro fator negativo com a apreciação da divisa doméstica é a aquisição de matérias-primas como o minério de ferro e o carvão mineral, que também tinham como parâmetro o dólar, o que prejudicava as margens operacionais.
Produtores de aços longos
A corretora acredita que a alta do dólar tem menos impacto no caso da Gerdau (GGBR4), se comparado às consequências para fabricantes de aços planos. “A Gerdau atua nos EUA e por mais que o momento não seja positivo por lá, o faturamento em Real será beneficiado”, diz Galdi.
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O analista ainda afirma que o fato da companhia possuir despesas em dólar traz um efeito inverso, mas acredita que estas forças se anulem e que tragam pouco impacto para os resultados do 3T11.