SLC (SLCE3) dispara 7% após JPMorgan elevar recomendação para compra e preço-alvo

Apesar do risco de El Niño no radar, analistas veem uma combinação mais favorável entre preços e custos à frente

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O JPMorgan elevou a recomendação para SLC Agrícola (SLCE3), maior alta do Ibovespa em agosto com valorização de 20%, de neutra para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), após a ação acumular alta de 20% em agosto, a maior valorização do Ibovespa no mês. Contudo, as ações deixaram o índice no início de setembro.

O banco avalia que o setor agrícola brasileiro pode estar próximo de superar um ciclo de crise de aproximadamente três anos, que pressionou as margens e elevou a alavancagem.

Por volta das 10h35 (horário de Brasília), as ações da companhia registravam valorização de 7,72%, cotadas a R$ 18,15.

Apesar do risco de El Niño no radar, os analistas Lucas Ferreira, Larissa Perez e Froylan Mendez enxergam uma combinação mais favorável entre preços e custos à frente, o que deve sustentar as margens.

Para a SLC, que adotou uma estratégia eficiente na compra de fertilizantes e realizou hedges no momento adequado, o trio avalia que 2027 tende a ser um ano melhor. O JPMorgan também elevou o preço-alvo da ação de R$ 18 para R$ 23.

SLC é principal aposta no Agro

A SLC passou a ser principal escolha do JPMorgan no setor de agronegócio, à frente de 3tentos (TTEN3), São Martinho (SMTO3) e Adecoagro.

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O banco estima que a ação esteja negociando a 5,9 vezes EV/EBITDA projetado para 2027, ou a um retorno de fluxo de caixa livre (FCF yield) de 6,2%, ligeiramente abaixo da média histórica, mas com espaço para melhora à medida que incorpora o impacto do El Niño sobre as produtividades.

A avaliação da ação parece mais barata que a média histórica. Além disso, o movimento de alta das commodities e a reversão das margens devem gerar risco positivo para as estimativas de consenso.

Os preços globais da soja subiram 13% no último mês e 26% no ano. As curvas futuras para 2026 e 2027 também estão significativamente acima dos níveis de um, seis e 12 meses atrás.

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O mesmo ocorre com o milho, que acumula alta de 16% no mês e 16% no ano. O algodão permanece mais fraco na comparação mensal, com queda de 1%, mas é o principal destaque no acumulado do ano, com alta de 29%.

No mercado doméstico, a soja de referência em Paranaguá subiu 12% no mês e 14% no ano. O contrato de referência do milho em Campinas avançou 9% no mês e 2% no ano, movimento parcialmente explicado pela sazonalidade da safra.

Com os preços das commodities provavelmente crescendo mais que os custos unitários, a perspectiva de melhora das margens da SLC em 2027 parece razoável e ainda não está refletida nas estimativas de consenso.

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Felipe Moreira
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