Situação da economia volta a preocupar os mercados e Ibovespa cai 2,25%

Wall Street recebe fala de Greenspan com pessimismo, enquanto baixa das commodities pesa por aqui; dólar sobe 0,54%

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SÃO PAULO – O temor com a saúde da maior economia do mundo voltou a penalizar os mercados no penúltimo pregão desta semana, que contou ainda com uma queda no valor das commodities. Wall Street recebeu com pessimismo as palavras de Alan Greenspan, caiu sob pressão dos ativos de bancos e levou junto o Ibovespa. Por aqui, o índice fechou com queda de 2,25%, penalizado pelas ações de Vale e imobiliárias, confirmando a terceira baixa seguida.

A necessidade de capital das instituições financeiras dos Estados Unidos também voltou a preocupar os investidores nesta sessão. “Ainda existe muito capital a ser levantado no sistema bancário comercial norte-americano”, disse o ex-presidente do Fed. Em Wall Street, depois de anunciar uma oferta de ações no montante de US$ 400 milhões, o Regions Financial viu seus ativos desabarem 16,16%, encabeçando as perdas dos papéis de bancos regionais do país.

Também figuraram entre focos de tensões os novos sinais de piora no mercado de trabalho norte-americano, um dos segmentos mais afetados pela crise financeira. Mesmo abaixo da medição anterior, o número de pedidos de auxílio-desemprego no país ficou acima das expectativas do mercado na última semana. Ainda no âmbito econômico, o nível de atividade industrial na região da Filadélfia teve recuo superior ao esperado pelos analistas durante o mês de maio.

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Após a Standard & Poor’s ter reduzido a perspectiva para as notas de crédito do Reino Unido, o mercado demonstrou-se preocupado com a situação dos ratings dos Estados Unidos. Por sua vez, na esfera corporativa, a UAW (United Auto Workers), sindicato dos trabalhadores do setor automotivo, anunciou um acordo com a GM (+32,41%) e o Tesouro norte-americano para reestruturar a dívida da montadora com fundos de pensão e planos de saúde dos funcionários.

Terceira queda consecutiva

Na esteira do movimento negativo verificado nas bolsas norte-americanas, o Ibovespa terminou com forte recuo pelo terceiro pregão consecutivo, sob pressão dos papéis de Vale e do setor imobiliário. Em contrapartida, no setor de alimentos, novamente as ações de Sadia e Perdigão apareceram com a maior valorização do índice.

Entre os principais responsáveis pela baixa da bolsa brasileira, os papéis da Vale registraram forte recuo. Antevendo um fraco crescimento para os mercados de minério de ferro ao menos até 2011, o Morgan Stanley reduziu sua classificação aos papéis da mineradora, passando-a de “underweight” – acima da média – para “equal weight” – em linha com o mercado. O preço-alvo aos ADRs (American Depositary Receipts) também passou por revisão negativa.

Também contribuiu para o recuo do índice a desvalorização nas ações da Petrobras, que reagiram à queda do preço do petróleo. Os diretores da ANP (Agência Nacional do Petróleo) confirmaram a decisão de negar o pedido da estatal para a prorrogação dos prazos exploratórios nos campos do Pré-sal localizados na bacia de Santos.

A maior perda dentre os ativos que compõem o benchmark foi apresentada pelas units da ALL. Já na ponta positiva, os ativos de Sadia e Perdigão voltaram a se destacar. Nesta sessão, a primeira informou que seus acionistas terão um prazo de 30 dias para efetuarem a retirada do valor correspondente às ações incorporadas à companhia, que ainda será calculado.

Ibovespa cai 2,25%

Confirmando o terceiro recuo consecutivo, o Ibovespa fechou com baixa de 2,25% e atingiu 50.087 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 4,50 bilhões.

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As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1Links
ALLL11 ALL UNT N2 11,25 -5,46 +13,22 38,91M
VIVO4 Vivo Part PN 36,80 -5,40 +35,17 39,72M
CYRE3 Cyrela Realty ON 13,25 -5,36 +46,01 37,91M
RSID3 Rossi Resid ON 7,31 -5,19 +97,25 11,23M
BTOW3 B2W Varejo ON 34,10 -5,01 +44,27 33,14M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1Links
SDIA4 Sadia PN 4,97 +5,97 +32,53 132,38M
PRGA3 Perdigão ON 39,10 +5,82 +31,47 129,84M
TCSL3 TIM Part ON 7,48 +2,61 +52,34 1,45M
CCRO3 CCR Rodovias ON 28,75 +1,95 +23,41 37,70M
BRTP4 Brasil T Par PN 17,69 +1,32 +1,61 5,25M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg
VALE5 Vale Rio Doce PNA 32,31-2,97761,33M602,58M 24.477
PETR4 Petrobras PN32,50-1,96561,05M698,00M 14.046
BVMF3 BMF Bovespa ON 9,95-4,14211,07M198,88M 15.796
VALE3 Vale Rio Doce ON 37,82-4,06209,90M173,78M 8.000
PETR3 Petrobras ON40,70-1,93163,93M180,37M 6.209

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Dólar sobe

O dólar comercial mostrou-se muito volátil durante esta quinta-feira. Após apresentar ganhos próximos de 0,8% durante a manhã, aparentando um ajuste em virtude das últimas perdas, a moeda norte-americana inverteu sua tendência pela tarde, no entanto, após nova intervenção do Banco Central, a divisa voltou ao campo positivo e fechou com alta de 0,54%, cotada a R$ 2,036.

Pela décima sessão consecutiva, o Banco Central interviu no mercado cambial ao comprar dólares em leilão no mercado à vista, a uma taxa de R$ 2,022. Tal operação ocorreu entre às 15h06 e às 15h16 (horário de Brasília), colaborando com a inversão de sinal da divisa dos EUA.

O presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, o Brasil “está comprando parte daquilo que foi desprendido durante a crise” ao falar sobre a recomposição das reservas, após participar da abertura da Conferência Brasil – União Europeia.

Sobre o retorno do fluxo cambial positivo no Brasil, o presidente da autoridade monetária afirmou que “o mercado internacional já começa a apostar que o Brasil sai antes da crise (do que os demais países)”, destacando também que o País continua a apresentar “fundamentos fiscais sólidos”.

Agenda econômica

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Na quarta-feira, o Governo anunciou uma nova revisão das projeções para crescimento do PIB neste ano. Em vez da expansão de 2% anunciada há dois meses, as estimativas agora apontam para um avanço de 1% na economia brasileira. Embora abaixo da anterior, a previsão supera a expectativa do mercado que, conforme o relatório Focus, espera uma contração de 0,49% neste ano.

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 8,9% no quarto mês do ano de 2009, o que mostra estabilidade em relação a março, quando a taxa registrada fora de 9%. Em relação a abril de 2008, houve avanço de 0,4 ponto percentual. As informações são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que divulgou a “Pesquisa Mensal de Emprego” nesta quinta-feira.

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em alta na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 9,33%, alta de 0,07 ponto percentual frente à apresentada na sessão anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 130,50% de seu valor de face, o que representa uma queda de 1,17%.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 313 pontos-base, baixa de 2 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas Internacionais

O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em baixa de 1,89% e atingiu 1.695 pontos.

Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 1,68% a 888 pontos, da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 1,54% a 8.292 pontos.

Na Europa, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres registrou baixa de 2,75% e atingiu 4.345 pontos; no mesmo sentido, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt desvalorizou-se 2,74% chegando a 4.901 pontos e o CAC 40, da bolsa de Paris, caiu 2,60% a 3.217 pontos.

Confira os indicadores previstos para a sexta-feira

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Na sexta-feira (22), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresenta o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de maio. Esse índice é calculado segundo a mesma metodologia do IPCA, mas a coleta dos dados é feita entre os dias 15 de cada mês.

No plano externo, em seu segundo dia de reunião, o BoJ (Bank of Japan) divulga a decisão sobre a taxa básica de juro do Japão. Nos EUA não serão apresentados índices relevantes.