Sindicato rebate acusação de que alta dos combustíveis é culpa dos postos

Para o Sindcomb, atribuir a culpa aos postos pelos aumentos dos preços dos combustíveis "é ato incorreto e altamente injusto"

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SÃO PAULO – O Sindcomb (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes e de Lojas de Conveniência do Município do Rio de Janeiro) rebateu as declarações feitas de que as altas dos combustíveis é culpa dos postos. Nesta semana, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que existe uma “nítida” formação de cartel entre os postos de combustíveis.

Em nota, o sindicato afirmou que atribuir a culpa aos postos pelos aumentos dos preços dos combustíveis “é ato incorreto e altamente injusto”. “Se as autoridades estão realmente interessadas em descobrir se houve elevação abusiva de preços, deveriam encaminhar pesquisas de planilhas de custos para toda a cadeia do petróleo, isto é, fonte produtora de refinaria, distribuidoras e também para as usinas”, afirmou.

Para o sindicato, as acusações direcionadas ao segmento deve-se pelo fato de a revenda de combustível ser o “elo mais visível do mercado, e com menor poder econômico”.

Altas
Para o Sindcomb, o preço da gasolina vem sofrendo aumentos, principalmente por conta das altas do etanol anidro, que é adicionado ao derivado de petróleo. “Entre os meses de junho de 2010 a abril de 2011, este produto subiu 180% nas usinas sucroalcooleiras. Somente esta alteração provocou uma elevação média de 19% no custo da gasolina no período”, disse.

Com o aumento, as distribuidoras venderam o combustível com reajuste de 14%, mas os postos repassaram 11,6%.

O presidente do Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes), Alísio Vaz, voltou a afirmar que os preços dos combustíveis deverão cair nos próximos dias. “Os estoques já estão normalizados e é possível até que o etanol que tem chegado aos postos já venha com menores preços”, disse, segundo a Agência Brasil.

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Os últimos dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Bicombustíveis) mostram que, na última semana, já houve queda dos preços do etanol em 12 estados do País. O preço médio do combustível já está 0,9% mais em conta. “A tendência é que os consumidores já comecem a sentir a queda no preço do álcool hidratado e da gasolina nos próximos dias em alguns dos principais centros e ao longo das próximas semanas em todo o País”.

Especulação
Para Vaz, a alta dos preços nada tem a ver com formação de cartel ou especulação. “O que houve foi que os preços do etanol atingiram patamares inéditos e o repasse deles para a gasolina afetou os preços nas bombas. A alta foi consequência do efeito de entressafra e houve esse mal-entendido de associar a qualquer movimento especulativo ou de formação de cartel”.

Vaz explica que os preços aumentaram porque os estoques eram pequenos e o consumidor pagou mais caro em proporção ao aumento nas usinas. Sem contar os atrasos no atendimento aos postos. “O importante é que nenhum consumidor teve problema para abastecer seu carro, seja com álcool ou com gasolina”.