Sinalização de Selic de um dígito começa a se refletir no relatório Focus

Contudo, inflação ainda precisa ser domada e cumprimento da meta de superávit primário deve ser estrito

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SÃO PAULO – O relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (13) mostrou que o mercado começa a acreditar nos sinais de que o Banco Central deverá colocar a taxa básica de juro da economia brasileira, a Selic, em patamar de um dígito. Assim, mostram que as expectativas para os juros estão caindo, tanto para 2012 quanto para 2013. 

“O BC estava emitindo sinais claros que pretende jogar a taxa de juros para baixo, e mais, que pretende deixá-la por mais tempo que o mercado imagina”, destacou André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. Assim, o mercado passa a ver a Selic a 9,5% ao ano em 2012 e 10,50% para 2013.

A LCA Consultores corrobora com esta opinião. “O mercado passou a considera que a Selic subirá menos em 2013, frente às sinalizações recentes de que este BC parece mais propenso a utilizar instrumentos alternativos à taxa de juros, como os compulsórios e as macroprudenciais, para controlar a demanda”, salienta a consultoria.

Inflação baixa e menores gastos são relevantes
Para que isso ocorra, porém, é importante que a inflação seja menor – o que parece que está ocorrendo. “As medidas mais recentes apontam para um comportamento mais benigno dos preços no início do ano”, afirma Perfeito. Ele lembra que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) está convergindo, atingindo agora o patamar de 6,22% nos últimos 12 meses – com a menor inflação em janeiro desde 2009. 

“Entre mortos e feridos, o ano começa bem. Ainda existe uma batalha e tanto no campos das expectativas que ainda não foi definida. O consenso no mercado é que há muita estranheza em trabalharmos com juros historicamente tão baixos”, destaca o economista-chefe da Gradual. Assim, o consenso terá que ser construído aos poucos pela diretoria.

Contudo, um fator pode frustrar as expectativas de que a Selic se aproxime da média internacuional, afirma a LCA. “A condição para que isso ocorra, diversas vezes sinalizada pelo BC, é o cumprimento estrito da meta de superávit primário, que precisa da colaboração da política fiscal na forma de um contingenciamento do orçamento em torno de R$ 60 bilhões”, diz. Porém, o governo pode anunciar um contingenciamento de apenas R$ 50 bilhões – o que na avaliação da LCA seria um “balde de água fria” nos planos do Banco Central.

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