Sinal da S&P sobre EUA traz pressão “emocional” de curto prazo para a bolsa

Profissionais do mercado revelam que a notícia já estava precificada; porém, estratégias de investimento poderão mudar

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SÃO PAULO – O corte na perspectiva do rating dos EUA pela Standard & Poor’s teve impacto negativo imediato no mercado nesta segunda-feira (18), mas poderá não se perpetuar no longo prazo, alertaram profissionais do mercado.

“A queda deste pregão deve ser guiada por uma questão emocional”, alertou Luiz Carlos Simão, sócio da Meta Asset Management, uma vez que o fato será melhor analisado no decorrer das próximas duas ou três semanas, explica.

“É uma notícia muito forte, porque era algo meio intocável”, diz Alexandre Galvão, professor de finanças do IBMEC-MG, lembrando que até durante a crise do subprime em 2008 os investidores buscaram refúgio nos títulos do governo norte-americano. O professor acredita que o mercado foi pego de surpresa, já que os dados para a análise já existiam, mas o que ocorreu nesta manhã foi uma mudança de expectativas.

“Já estava precificado”
Rodrigo Falcão, analista da ICAP Brasil, apesar de concordar que a notícia terá um impacto no emocional dos investidores, revela que o efeito nos mercados é algo de “curtíssimo prazo”, já que era um fato considerado como esperado pelo mercado.

“Os EUA não perdem poder de compra”, ressalta Falcão. Segundo o analista, os motivos abordados pela S&P como justifica para a redução da perspectiva já era algo amplamente conhecido por todos. Ademais, o Ibovespa já está bastante descontado aos mercados norte-americanos, diz.

Estratégias em revisão
Enquanto isso, Simão indica que o fato é um incentivo para repensar a estratégia de investimento. “Temos que repensar muita coisa; quais os setores que sofrerão menos e quais sofrerão mais com uma eventual menor pujança da economia norte-americana”, disse.

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A perspectiva negativa é um aviso para a política fiscal dos EUA, diz, e, caso este resolva optar por uma política mais contracionista, o impacto poderá se refletir no mundo todo. Neste cenário de incertezas, em que a aversão ao risco por parte dos investidores aumenta, a recomendação do sócio da Meta é possuir posições menores, focadas em ações defensivas e com um valuation de longo prazo.

Corte?
No entanto, quanto a um eventual corte no rating, os profissionais apresentam opiniões distintas. “A expectativa é mais importante do que o fato”, diz Simão, ao revelar que o efeito corte no rating não teria um impacto tão grande para os mercados, enquanto o analista da ICAP diz não acreditar em uma revisão negativa da economia norte-americana, mas caso ocorresse, o impacto seria muito maior, justamente por que o fato não é esperado pelos mercados.