Sinal amarelo para o dragão vermelho: conheça a nova síndrome chinesa

Enquanto a maior economia da Ásia dá sinais de arrefecimento, o forte crescimento no sistema de crédito do país tira o sono de diversos analistas e investidores

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SÃO PAULO – Dois movimentos opostos na economia chinesa têm despertado receio nos analistas e investidores recentemente. Enquanto os principais indicadores macroeconômicos dão sinais de que o país deva apresentar um PIB (Produto Interno Bruto) menor em 2013 do que nos últimos anos, o setor de crédito segue o sentido contrário e continua a crescer com força na maior potência econômica da Ásia, conforme destacou reportagem divulgada pela Reuters.

A matéria, assinada pelo jornalista Gabriel Wildau, mostra que cada vez mais empréstimos são necessários para produzir os mesmos resultados na economia chinesa. Segundo a reportagem, cerca de metade dos empréstimos de confiança em 2012 foram usados para refinanciar dívidas antigas usadas para projetos que não contribuem mais para o desenvolvimento da economia local.

Ao mesmo tempo, pequenos e médios empreendimentos, que respondem por aproximadamente 60% do PIB e 75% dos novos empregos, precisam de muito esforço para conseguir acesso a pequenos montantes sob forma de crédito. “Projetos sem fim e indústrias moribundas estão sugando porções cada vez maiores do novo crédito, enquanto mais produtivas empresas estão famintas por fundos”, avalia a reportagem.

A iminência da criação de uma bolha no setor preocupa analistas e investidores. Os riscos dos débitos difusos fazem com que a China possa vir a seguir os passos do Japão, nas “décadas perdidas”, criando uma classe permanente de “devedores zumbis”, que têm pouca expectativa de gerar lucros”.

Outro fator que tira o sono dos investidores no mercado chinês é o fato de o sistema de crédito depender cada vez mais de dos chamados “shadow banks” (ou sistema bancário na sombra), isto é, de um conjunto de instituições que funciona como banco, sem que o seja, captando recursos no curto prazo. O grande risco é que eles operam altamente alavancados e investem em ativos de longo prazo com pouca liquidez. Até estas instituições começam a se sentir inseguras com os devedores e a viabilidade do sistema de crédito na China.

Muitos veem o excessivo débito como uma bomba relógio que vai, consequentemente, produzir uma onda de fracassos e o derretimento da economia, projeta Wildau. A matéria destaca ainda que a continuação das políticas de refinanciamento de crédito atuam apenas como medicamentos paliativos para os problemas do gigante asiático – apenas mascaram os efeitos de problemas que terão que ser enfrentados em um futuro não tão distante.

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“Tais perpetuações evitam dores econômicas no curto prazo, mantendo fábricas fortes e trabalhadores empregados no setor de infraestrutura. No entanto, em um período mais espaçado, zumbis sugam o sangue da economia”, concluiu a reportagem. 


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.