Por Dentro dos Resultados

Simpar (SIMH3): ‘Abrir capital da CS Infra é muito possível’, diz CFO

Denys Ferrez participou de live do InfoMoney e falou sobre como a guerra na Ucrânia e a inflação dos combustíveis afetam os negócios do grupo

Por  Renan Crema -

A Simpar (SIMH3) pretende abrir o capital da CS Infra em até três anos. A informação foi dada pelo CFO da holding, Denys Ferrez, em live do InfoMoney. Atualmente, a Simpar controla sete empresas nos ramos de logística, locação de automóveis, máquinas e equipamentos, comercialização de ativos novos, infraestrutura e de atividades financeiras — entre elas estão as gigantes Movida (MOVI3), JSL (JSLG3) e Vamos (VAMO3).

“Falando da abertura de capital, eu acho que é sempre uma possibilidade. A gente diz que não fazemos nada para abrir capital, mas muitas vezes ao longo da nossa história a abertura de capital é o movimento certo a fazer. Injeta um pouco mais de equity dentro do sistema, serve para mostrar o valor daquilo que está sendo construído”, disse o CFO.

“Então, abrir o capital da CS Infra é muito possível. Eu acho que, num horizonte de três anos, Simpar certamente terá eventos como o que você está falando [IPO da CS Infra] ou similares, que gerem uma monetização, um marco naquilo que a gente está construindo”, completou Ferrez.

A live faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, em que o InfoMoney entrevista CEOs e diretores de importantes companhias de capital aberto, no Brasil ou no exterior. Eles falam sobre o balanço do quarto trimestre de 2021 e sobre perspectivas. Para acompanhar todas as entrevistas da série, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

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Somente JSL, Movida e Vamos representaram, juntas, 95% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da holding no ano passado, que totalizou R$ 4,3 bilhões.

Além delas, também são controladas pela Simpar a CS Brasil, que presta serviços ao setor público, a CS Infra, no ramo de infraestrutura, a rede de concessionárias Original e a financeira BBC Leasing e Digital. De acordo com Ferrez, analisando a participação de cada uma das sete empresas da holding, a concentração das aquisições futuras será no portfólio que já existe.

A JSL, segundo ele, tem um plano de crescimento que também poderá ocorrer por M&A (fusões e aquisições), mas está se desenvolvendo por enquanto de forma orgânica. Sobre Movida e Vamos, o executivo lembrou que ambas tiveram oportunidades pontuais de realizar aquisições de novas empresas.

Em relação às outras marcas, que têm menor participação nos resultados do grupo, foram anunciadas duas aquisições pela Original Holding. A CS Infra, por sua vez, incorporou recentemente a gestão e valorização de resíduos por meio da Ciclus.

Alta de custos

Apesar do otimismo por conta dos investimentos que fez no ano passado, que totalizaram R$ 8,8 bilhões, a Simpar não descarta um cenário de mudança de preços que terá que ser repassado ao consumidor final.

“Nós, como empresas e cidadãos, vamos ter que enfrentar um cenário de mudança de preços porque existe uma interrupção na cadeia de suprimentos em todas as instâncias que dificultará conter a alta dos custos. Temos planos contínuos de corte de custos, mas uma parte vai ter que ser repassada para o consumidor final”, afirmou Ferrez.

Sobre a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) anunciada recentemente pelo governo federal, Ferrez disse que isso “ajudará mais o automóvel a não subir de preço do que qualquer outra interferência”. O decreto, assinado presidente Jair Bolsonaro no começo do mês reduz as alíquotas do tributo para alguns tipos de automóveis em 18,5%.

“Olhando a lentidão e os riscos sobre as cadeias de suprimento, o cenário de oferta de carro novo segue mais apertado, o que mantém mais resiliência ao cenário secundário – ou seja, de locação – do automóvel” disse o CFO.

No ano que vem, entram em vigor novas exigências de segurança e emissão que, para ele tendem a encarecer o produto novo. “Existe sempre uma correlação entre o mercado de automóvel e o da Movida, que ajuda a manter uma reserva de valor no longo prazo”, analisou.

Ferrez falou ainda sobre o aumento no preço dos combustíveis, a volta da disseminação em massa da Covid-19 na China e sobre a guerra na Ucrânia e seus impactos na operação de logística do grupo, como por exemplo a falta de peças no setor automotivo. Assista à live completa acima, ou clique aqui.

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