Fraude no PanAmericano

Silvio Santos é intimado a prestar depoimento sobre o caso PanAmericano

Em 2010, o Banco Panamericano se viu em dificuldades após a descoberta de inconsistências contábeis; banco foi vendido para o BTG Pactual no ano seguinte

SÃO PAULO – O apresentador de televisão e dono do SBT Silvio Santos, que voltou recentemente à lista dos bilionários da Forbes, não recebeu uma boa notícia esta semana. De acordo com informações da colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, Silvio foi intimado em São Paulo para depor hoje na Justiça sobre o processo que apura denúncias de fraudes na venda do banco PanAmericano, atual Banco Pan (BPAN3).

Em 2010, o Banco Panamericano se viu em dificuldades após a descoberta de inconsistências contábeis. Na época, o Grupo Silvio Santos, então controlador do banco, anunciou aporte de R$ 2,5 bilhões, obtidos com o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), para cobrir os problemas identificados na instituição.

No ano seguinte, o BTG Pactual (BBTG11) comprou a totalidade da participação do Grupo Silvio Santos no Panamericano, atual Banco Pan. Silvio Santos afirmou, na época, que não se importava com a dívida do a instituição: “dois bilhões de dívidas, 4 bilhões de lucro, isso nada mais é do que zeros, que ficam à esquerda ou à direita. Eu fico muito contente que não dei prejuízo para ninguém. Tenho certeza que as ações do PanAmericano vão se valorizar”, afirmou após a venda do banco.

Em 2012, o Ministério Público Federal denunciou 17 ex-diretores e funcionários por crimes contra o sistema financeiro, acusando-os de fraudar a contabilidade do Panamericano de 2007 a 2010, melhorando o resultado dos balanços em pelo menos R$ 3,8 bilhões.

Segundo o MPF, nesse mesmo período, os investigados receberam do banco, em bônus e outros pagamentos irregulares, cerca de R$ 100 milhões. Os bônus foram considerados ilegais, já que não eram comunicados ao mercado.

Além dos crimes apontados no relatório da Polícia Federal, o MPF identificou outras possíveis irregularidades, como pagamento de propina a servidores públicos, doações a partidos políticos com ocultação do real doador, pagamento a escritório de advocacia em valores incompatíveis com os serviços prestados e fornecimento de informações falsas ao Banco Central.

De acordo com a denúncia, o valor que deveria ser indevidamente contabilizado era estabelecido em reuniões mensais, com a participação de vários dos denunciados. E fraudes na contabilização das carteiras cedidas eram feitas para cobrir rombos anteriores nas liquidações antecipadas e vice-versa.