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SÃO PAULO – O grupo Siemens, um dos maiores conglomerados industriais e tecnológicos da Europa, concordou em pagar € 600 milhões a órgãos fiscalizadores dos EUA e € 395 milhões para a Promotoria Pública de Munique. O grupo se declarou culpado nesta segunda-feira (15) de acusações de corrupção em ambos os países.
A empresa também concordou em aceitar uma auditoria independente durante os próximos quatro anos e cooperar com as futuras investigações dos governos envolvidos sobre o caso.
De acordo Jeffrey Taylor, promotor norte-americano encarregado do processo, a companhia teria utilizado contabilidade falsa em seus registros para pagar propinas e falsificar registros referentes a depósitos feitos ao governo iraquiano pelo programa de troca de petróleo por alimento, mantido pela ONU (Organização Nações Unidas).
O melhor presente de Natal
A estas quantias soma-se uma multa de € 200 milhões de euros, já depositada pelo grupo em 2007. Apesar de tudo, o atual presidente da empresa, Peter Löscher, classificou o acordo como “um resultado fantástico”, já que desde o início do processo pairava sobre sua firma a ameaça de multas bilionárias . “Para nós todos da Siemens este é o mais lindo presente de Natal”, declarou Löscher ao jornal Bild.
A Siemens está envolvida em acusações de corrupção desde 2006, que levaram a investigações judiciais em pelo menos 12 países. De acordo com os investigadores norte-americanos, a empresa teria pago propinas para conseguir contratos de transporte na Venezuela, telefonia móvel em Bangladesh, usinas de energia em Israel e sistemas de controle de tráfego na Rússia.