Destaques da semana

“Short squeeze” de 2 ações e derrocada da Vale são destaques desta semana

Bolsa encerra semana com queda de 3,60% com PDG e BR Properties liderando os ganhos, enquanto Gerdau e Vale ficam entre as maiores quedas

SÃO PAULO – A semana termina negativa na Bovespa, com seu principal índice de ações encerrando o período com perdas de 3,60%, aos 50.094 pontos. Entre os destaques da semana, as duas ações que lideraram os ganhos do Ibovespa foram impulsionadas por um movimento de “short squeeze”.

Enquanto isso, entre as quedas, chamaram atenção as ações da Gerdau, que foram pressionadas pelos rumores de que a companhia estaria envolvida no esquema de corrupção no ‘tribunal’ da Receita. Já a Vale, também teve fortes quedas em uma semana marcada pela quebra das mínimas do preço do minério de ferro e temores de que a situação pode piorar ainda mais.

Veja os destaques da semana:

Altas

PDG Realty (PDGR3, R$ 0,50, +25,00%)
As ações da PDG Realty fecharam como os maiores ganhos desta semana do Ibovespa, descolando-se do restante dos papéis do índice. De acordo com analistas de mercado, o movimento se deu por conta de um “short squeeze”, que ocorre quando existe muita demanda por ativos de aluguel, porém, pouca oferta, ou se o limite de ações para aluguel já tiver batido o limiar permitido pela BM&FBovespa. Desta maneira, o investidor que realiza venda a descoberto (quando se está apostando em uma queda dos ativos) se vê tendo que comprar ações para liquidar sua operação na Bolsa, o que acarreta na disparada das ações.

BR Properties (BRPR3, R$ 13,25, +9,41%)
Vindo logo depois dos ganhos da PDG Realty, as ações da BR Properties fecharam com forte alta nesta semana também por conta de um “short squeeze”, de acordo com Guilherme Belloni, da mesa de BTC da XP Investimentos. Segundo ele, o papel estava escasso no mercado de aluguel enquanto a demanda seguia fortemente aquecida. Nos últimos dias surgiram rumores de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) das ações da companhia e isso pode ter acionado uma recompra dos papéis no mercado na véspera, mas ainda assim muitos investidores estavam procurando pelo empréstimo dos papéis. “Está difícil achar doadores, os vendidos estão pressionados”, disse. Somente este mês, as ações da BR Properties subiram 14%. 

Gafisa (GFSA3, R$ 2,09, +7,18%)
Também do ramo imobiliário, as ações da Gafisa também estiveram entre os principais ganhos do Ibovespa nesta semana. Sem noticiário no radar da companhia, os papéis que acumulam perdas de 6% no mês fecharam com uma ótima semana na Bolsa.

Papel e celulose
As ações do setor de papel e celulose também tiveram semana positiva na Bovespa. Os ativos de Fibria (FIBR3, R$ 44,17, +6,54%) e Suzano (SUZB5, R$ 14,79, +4,89%) fecharam com fortes ganhos nos últimos cinco dias de pregão em meio à alta do dólar. A moeda norte-americana fecha esta semana em alta, cotada a R$ 3,2405. O setor é beneficiado com o movimento positivo da divisa, uma vez que são exportadoras e, por isso, possuem suas receitas lastreadas em dólar. A Klabin (KLBN11, R$ 18,00, +2,75%) também viu suas units subirem na semana, mesmo que com ganhos mais amenos.

Petrobras (PETR3, R$ 9,22, +0,66%; PETR4, R$ 9,38, +0,32%)
As ações da Petrobras fecharam a semana no lado negativo do Ibovespa. O movimento desta sexta-feira contribuiu para as quedas desta semana, em meio à eleição de Luciano Coutinho para a presidência do conselho da estatal, em substituição a Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda. Nesta sexta, uma notícia da Reuters apontou que a União, acionista controlador da Petrobras, indicou Murilo Ferreira, atual presidente-executivo da mineradora Vale, para presidente do conselho de administração da petroleira a ser eleito em assembleia de acionistas marcada para 29 de abril, segundo comunicado divulgado pela estatal nesta sexta-feira.

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Segundo o analista independente Flávio Conde, apesar da notícia do Ferreira, o que o mercado quer realmente são os balanços aprovados com as perdas contábeis de desvios e superfaturamento com assinatura dos auditores para que os riscos de pagamento antecipado de dívidas e suspensão de negociação de ADRs (American Depositary Receipts) acabem. Vale mencionar que os resultados eram bastante aguardados pelo mercado para serem divulgados na reunião do dia 26, o que não ocorreu.

Ainda no radar da companhia esteve a notícia de que a agência de risco Standard & Poor’s manteve o rating da Petrobras em ‘BBB-‘. Em compensação, a agência cortou a perspectiva das notas de crédito da estatal de estável para negativa. A decisão teve uma leitura positiva dos analistas, embora tenham ressaltado ver impacto limitado no mercado.

Quedas

Vale e siderúrgicas
A semana não foi fácil para as ações da Vale (VALE3, R$ 18,35, -9,38%; VALE5, R$ 15,97, -8,11%) e das siderúrgicas, que continuam sofrendo com a queda dos preços do minério de ferro e com a notícia de que as fábricas na China devem continuar fechando em uma perspectiva longa de queda no preço da commodity. A Bradespar (BRAP4, R$ 10,75, -10,71%), holding que detém participação na Vale fechou com fortes quedas nos últimos cinco dias, batendo hoje sua mínima do início de 2006. Os preços do minério de ferro no mercado físico da China atingiram nova mínima recorde hoje com preocupações de que as grandes mineradoras globais vão continuar a elevar a produção em um mercado bem abastecido.

Destaque nesta semana para as quedas das siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 9,94, -10,93%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 10,59, -13,97%), que ficaram entre as maiores perdas pressionadas principalmente pelas desvalorizações desta sexta-feira, puxadas pelas suspeitas de que a companhia estaria envolvida no esquema de irregularidades no Carf.

A notícia que traria mais peso hoje é um suposto envolvimento em esquema de corrupção no ‘tribunal’ da Receita, disse o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, lembrando que a empresa tinha um contato muito próximo com o governo, com o próprio Jorge Gerdau já tendo sido cotado para assumir o Ministério da Fazenda. Ontem, a Polícia Federal iniciou operação, chamada de Zelote, para desarticular uma organização suspeita de fraudar julgamentos de processos no Carf, do Ministério da Fazenda, com 41 mandatos de busca e apreensão. Entre os envolvidos, apareceu a Gerdau, comandada então pelo empresário Jorge Gerdau, que, até recentemente, era coordenador da Câmara de Gestão e Planejamento do Governo Federal.

Além disso, a empresa anunciou proposta para alterar a composição de seu Conselho de Administração, cuja presidência passará a ser dividida entre André Gerdau Johannpeter, atual presidente executivo, e Cláudio Gerdau Johannpeter, vice-presidente executivo da companhia. A mudança vale para a Gerdau SA e para a Metalúrgica Gerdau, cujos Conselhos são atualmente presididos por Jorge Gerdau Johannpeter e que passará a ser presidente do Conselho Consultivo, novo órgão a ser criado para o grupo. As assembleias de acionistas para a votação da proposta estão marcadas para 28 e 29 de abril.

Já CSN (CSNA3, R$ 5,62, -4,42%) e Usiminas (USIM5, R$ 5,14, +1,18%), tiveram um desempenho bem superior, mesmo que não positivo. Em relação à Usiminas, a TerniumTechint decidiu alugar 25 milhões de ações ordinárias da companhia, que correspondem a 4,95% do capital ordinário da siderúrgica, em uma tentativa de virar o jogo na disputa pela gestão da empresa, informou o Valor.

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A eleição do novo conselho de administração será decidida em assembleia extraordinária marcada para 6 de abril. Com a movimentação, a Ternium tenta criar um novo grupo de minoritários – além dos grupos formados por Lirio Parissoto e BTG Pactual – para ocupar o comando do conselho. O novo presidente que vai substituir Paulo Penido, indicado da Nippon Steel em 2012, vai sair da eleição de acionistas minoritários, já que Ternium e os japoneses – que disputam o controle da siderúrgica – não têm um nome de consenso.

Sabesp (SBSP3, R$ 16,85, -11,78%)
As ações da Sabesp fecharam a semana no vermelho no Ibovespa, em meio à divulgação dos resultados da companhia, que reportou lucro líquido de R$ 903 milhões em 2014, queda de 53% frente ao resultado de R$ 1,92 bilhão em 2013, sob impacto da crise hídrica. A receita líquida foi de R$ 11,2 bilhões, praticamente estável frente aos R$ 11,31 bilhões do ano anterior. Mesmo assim, nesta semana, o secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga, informou que o risco de rodízio de água na região metropolitana de São Paulo “está cada vez menor”, como apurou o Valor. Na metade do mês, o sistema Cantareira já recebeu mais que a média do volume de chuvas da média histórica para março. 

Oi (OIBR4, R$ 5,89, -8,82%)
A Oi viu seus papéis fecharem no vermelho nesta semana em meio à divulgação de seus resultados. A companhia de telecomunicações teve prejuízo líquido consolidado de R$ 4,42 bilhões no quarto trimestre, revertendo resultado positivo obtido um ano antes diante de impactos contábeis gerados pela venda de ativos da Portugal Telecom. Segundo o analista independente Flávio Conde, o resultado foi mais uma vez fraco e pior do que o esperado. A recomendação dele é que os investidores fiquem fora da ação em meio ao balanço ruim e possibilidade baixa de ocorrer uma fusão no curto prazo por conta de questões internas da Telefônica (VIVT4, R$ 47,92, -3,13%) e TIM (TIMP3, R$ 10,63, -5,93%).

ALL (ALLL3, R$ 4,06, -11,16%)
Outra ação que fechou com queda nesta semana foi a ALL, em meio à notícia de que já existe data marcada para a estreia das ações da Rumo Logística, que se uniu à ALL. O papel passa a ser negociado no próximo dia 1º de abril com o ticker RUMO3. Em consequência, os papéis ALLL3 deixam de ser negociados na BM&FBovespa no dia 31 de março, terça-feira. 

Em comunicado, a ALL informou que no dia 23 foram realizadas reuniões do Conselho de Administração das duas companhias, que aprovaram o ajuste da relação de substituição de ações da ALL por ações da Rumo, em função dos dividendos distribuídos tanto por parte de Rumo como por parte da ALL. Com isso, para cada 1 ação existente da ALL, a partir do dia 1º de abril passaram a existir 2,87930 ações ordinárias da Rumo. A nota diz ainda que maiores informações sobre o fato serão publicadas pelas empresas oportunamente.