Seu negócio: você já pensou quanto dinheiro pode perder com má gestão de dados?

Falhas em bancos de dados prejudicam vendas e custam caro a empresas brasileiras; vendas sem regras também prejudicam

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SÃO PAULO – Embora muitas empresas não admitam, o desenvolvimento de uma gestão eficiente dos dados e informações ainda é uma pedra no sapato para a maioria dos empresários brasileiros. Somente considerando-se os casos de devolução de mala direta, em função de dados incompatíveis, as empresas já apresentam perdas expressivas de recursos, o que envolve tempo e, principalmente, dinheiro.

Para se ter uma idéia, estima-se que de toda a correspondência enviada pelas empresas, cerca de 40,0% retornam em função de endereço errado, denunciando, assim, um problema no banco de dados da empresa. E engana-se totalmente quem pensa que a perda com este fato é mensurada apenas pelos gastos com envio errado e reenvio, visto que o ônus se estende a menores vendas e pior relacionamento com o cliente.

Empresários muitas vezes não se dão conta das falhas

De acordo com Júlio César Martins, presidente da empresa de gerenciamento de dados Go Digital, um problema muito comum nas empresas diz respeito à inconsistência de cadastros, além da realização de vendas sem regras. Martins afirma que a capacidade da empresa em vender e entregar o produto ou serviço é de extrema importância para a empresa, de forma que a quebra desta cadeia é prejudicial.

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Muitas vezes, a quebra desta cadeia faz parte da rotina da empresa, de forma que torna-se tão corriqueira que muitas vezes passa despercebida pela gerência. Assim, a terceirização da gestão de dados da empresa seria uma alternativa interessante, à medida que facilitaria os pontos falhos na cadeia de vendas dos produtos ou serviços. Esta alternativa é ainda mais vantajosa no caso das micro e pequenas empresas, afirma Martins.

E quando a terceirização não é possível?

Em alguns casos, contudo, a terceirização não é recomendável pela estratégia ou ramo de atuação da empresa, como acontece com bancos e seguradoras, de forma que a saída é a realização de investimentos em tratamento dos dados, possibilitando que o serviço seja feito “dentro de casa”. De acordo com Sílvio Ramos, gerente geral para a América Latina da Harte-Hanks, o serviço não custa caro.

Para uma empresa que possui 60 mil clientes, por exemplo, o custo médio seria de algo em torno de R$ 20 mil, perfeitamente aceitável para os padrões do negócio. Ramos ainda atenta para o fato de que a solução das falhas de gerenciamento de dados, seja ela por meio da terceirização ou do tratamento de dados, é questão primordial para o posicionamento competitivo da empresa.

Tratamento dos dados deve ser incorporado à cultura

Vale destacar, contudo, de que um projeto de tratamento de dados que dure poucos meses pode não ter os efeitos desejados no longo prazo. Ou seja, se sua empresa pensa que um processo de tratamento que durou três ou quatro meses será capaz de solucionar todos os problemas de dados dali para a frente, então reveja sua posição, pois como os processos organizacionais são dinâmicos, novos tipos de falhas tendem a ocorrer.

Dessa maneira, o diretor geral da divisão Terradata da NCR, Paulo Pinho, argumenta que o tratamento de dados deve ser um processo contínuo nas empresas, favorecendo, dessa maneira, o desenvolvimento do chamado marketing de relacionamento e marketing direto. A empresa deve, dessa maneira, incorporar esta prática à cultura organizacional, de modo a aproveitar as oportunidades que lhes são lançadas pelo mercado.