Seu dinheiro: escolha onde aplicar de acordo com o risco que está disposto a correr

Embora mostre menor rentabilidade que o mercado de ações no longo prazo, renda fixa registra risco muito inferior

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SÃO PAULO – A decisão de onde investir depende fundamentalmente do perfil de cada investidor. Afinal de contas, alternativas mais rentáveis tendem a trazer riscos maiores para o investidor, enquanto aqueles que buscam menos riscos muitas vezes têm que se contentar com retornos menores.

Portanto, é na análise da relação entre risco e retorno de um investimento que o investidor deve se focar. E como uma parcela significativa dos investidores possui um perfil de risco moderado ou conservador, é mais lógico determinar inicialmente quanto risco você pode correr.

Comparando alternativas de mercado

Uma forma de avaliar o risco de cada alternativa de investimento é analisar o seu desempenho nos últimos anos. Embora o desempenho passado não garanta o que vá ocorrer no futuro, uma análise de longo prazo pode dar pistas de que tipo de risco o investidor está correndo ao escolher uma aplicação.

Vamos considerar o desempenho de três importantes indicadores no período de 10 anos entre janeiro de 1996 e dezembro de 2005: o CDI, que funciona como proxi para a renda fixa, o Ibovespa, medindo o desempenho do mercado de ações, e o dólar, que serve como referência para aplicações no mercado cambial. Todos eles foram deflacionados pelo IPCA, de forma que a análise se refere à rentabilidade em termos reais.

Uma forma de analisar o risco é avaliar qual foi o pior retorno possível da aplicação em um determinado período. Por exemplo, para aqueles investidores que aplicaram por uma prazo de um ano, qual teria sido o pior caso, considerando o potencial de perda.

Renda fixa é a menos arriscada

Embora exista a possibilidade de perdas também no mercado de renda fixa, foi o CDI que mostrou o melhor desempenho em termos de risco. Para quem aplicou o dinheiro por um período de mês, o pior desempenho no período analisado foi em novembro de 2002, com perda real de 3,42%.

Já quem investiu no dólar em dezembro de 2001 perdeu 21,41% em termos reais. Enquanto isso, o aplicador que montou uma carteira de ações em linha com o Ibovespa poderia contabilizar, em setembro de 1998, uma perda real de 45,80%, ou seja, quase metade dos recursos aplicados, em apenas um mês.

Considerando um período de investimento de um ano, a renda fixa também segue em vantagem do ponto de vista de menor risco. No período analisado, a menor rentabilidade real do CDI em 12 meses foi em janeiro de 2003, com ganho de apenas 2,62%. Já o dólar mostrou perda de 37,77% até outubro de 2003, enquanto o Ibovespa acumulou queda real de 53,96% até setembro de 1998.

Melhor desempenho também no longo prazo

A maior surpresa fica por conta do grande diferencial em termos de risco da renda fixa em relação às demais alternativas em períodos longos, de 60 meses, ou cinco anos. Quem teve seus recursos corrigidos pelo CDI obteve ganho em 5 anos de pelo menos 51,34%, que foi registrado em maio de 2005, o pior do período analisado.

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Já para o dólar, que sacou seus recursos após 60 meses em dezembro de 2005 acumulou perda em termos reais de 42,47%. No caso do investimento em ações, o pior resultado foi uma queda real do Ibovespa de 48,55% no período de 5 anos até julho de 2002.

Risco como ponto de partida

Estes números não significam necessariamente que investir em renda fixa é a melhor alternativa, já que não levam em consideração o potencial de ganho ou mesmo o ganho médio no período. Porém, devem servir como ponto de partida para o investidor, que tem uma perspectiva mais clara dos riscos envolvidos.

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Quando a rentabilidade é levada em consideração, novamente o perfil o investidor faz a diferença na escolha do melhor indicador. O Ibovespa, por exemplo, rendeu em média 1,63% em termos reais ao mês no período analisado, contra ganhos médios de 1,05% do CDI e 0,07% do dólar.

Portanto, um investidor com perfil elevado de risco poderia considerar uma parcela maior de investimento em renda variável em sua carteira, ciente dos riscos que está correndo para obter uma rentabilidade mais elevada. Como o dólar se mostra como uma alternativa ao mesmo tempo arriscada e de baixo retorno, cada investidor deve escolher sua alocação entre renda fixa e variável de acordo com o risco que está disposto a correr para obter melhor retorno.