Setor sucroenergético está no ano da virada

Cenário com melhor remuneração para as usinas, fruto de preços em recuperação tanto para o etanol quanto para o açúcar, anima o segmento

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SÃO PAULO – Passada sua pior crise, o setor sucroenergético está no ano da virada, acredita o presidente do Ceise-Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis), Paulo Gallo. A entidade representa a indústria de base do segmento, reunindo cerca de 500 empresas fabricantes de equipamentos e produtos, bem como prestadores de serviços para a cadeia produtiva da cana de açúcar.

Durante o lançamento da Fenasucro/Agrocana , na última quarta-feira (18), em São Paulo (SP), Gallo disse que o setor está saindo de um período de tempestade perfeita para um ciclo mais positivo, devido à composição de um cenário com melhor remuneração para as usinas, fruto de preços em recuperação tanto para o etanol quanto para o açúcar. “Deixamos o pior para trás, agora a curva mudou. Com a recapitalização, o investimento pode começar a voltar.”

De acordo com o dirigente, no caso do etanol, a volta parcial da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) – imposto que incide sobre a gasolina – no ano passado, bem como algumas medidas tributárias que ocorreram, reativaram a demanda, o que, obviamente, se refletiu nos preços, beneficiando o caixa das usinas.

Segundo Gallo, mais do que esta mudança conjuntural, o fato é que o consumo de etanol no médio e longo prazo só deve aumentar, puxado por fatores econômicos e, claro, também ambientais, por se tratar de um combustível limpo e renovável.

Já no caso do açúcar, o presidente do Ceise-Br ressaltou que as estimativas de déficit mundial para o produto, em razão, de quebras de safras em países produtores, como, por exemplo, a Tailândia, levarão à queima de estoques. “E isso terá efeito altista nos preços do açúcar, tanto que a próxima safra poderá até ter um viés mais açucareiro.” Gallo salientou, ainda, que até a bioenergia está com expectativa de dias melhores. “Os leilões estão com preços mais atraentes para a energia gerada a partir da biomassa da cana.”

A despeito do quadro mais animador, o dirigente ressalvou, no entanto, que o setor sucroenergético ainda carece de um marco-regulatório, que seja ancorado em políticas públicas que deem maior previsibilidade para a tomada de decisão. “Não queremos subsídios, somente regras claras.”