Setor moveleiro sente efeitos da crise, encolhe e pede ajuda ao governo

Com o orçamento mais apertado, brasileiro preferiu gastar com equipamentos eletroeletrônicos, diz Abimovel

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SÃO PAULO – O setor moveleiro sentiu os efeitos da crise mundial da economia, de acordo com afirmação do presidente da Abimovel (Associação Brasileira da Indústria de Móveis), José Luiz Dias Fernandez.

Em entrevista à Agência Sebrae, ele disse que o problema girou em torno da preferência da escolha do consumidor sobre o que comprar. Com o orçamento mais apertado, o brasileiro preferiu gastar com equipamentos eletroeletrônicos, principalmente com aparelho celular.

A situação teria se agravado com a redução de impostos concedida pelo governo a alguns produtos da linha branca e aos automóveis. “Os móveis ficaram prejudicados. As campanhas de isenção são fortes. O dinheiro está sendo sugado pelo setor automobilístico. O consumidor compra menos móveis”, afirmou Fernandez.

O cenário já era de pessimismo para o setor, que, em 2008, fechou com déficit nas vendas de 1,7%, na comparação com 2007. Nos quatro primeiros meses deste ano, a cadeia de móveis perdeu tudo o que havia faturado até agosto do ano passado, nas palavras do presidente da Abimovel.

Redução da carga tributária

Fernandez defende a redução da carga tributária para o setor, tema sobre o qual as empresas vêm conversando há dois anos com o governo, mas sem resultados.

Os empresários reivindicam a equalização do IPI, de 10% para 5%, para móveis de madeira, estofados e de metal. Ao contrário do esperado, com a medida, a arrecadação poderia aumentar em R$ 100 milhões em outros tributos, durante período igual ao da isenção, argumentam os empresários.

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“Nos últimos 90 dias, estivemos negociando a isenção total do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para móveis e matéria-prima (chapas), por um período de seis meses. Com isso, aumentaríamos a arrecadação de outros impostos em R$ 100 milhões, durante seis meses. O governo está estudando essa proposta, que se encontra no Ministério da Fazenda. O ministro Miguel Jorge, do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, são aliados dessa causa, porque enxergaram viabilidade técnica na proposta”.

Expectativa para 2010

A expectativa da instituição é de que os negócios comecem a melhorar, neste fim de ano. “O resultado do Salão do Móvel, realizado em agosto, na capital paulista, foi positivo. Vendemos R$ 350 milhões para os mercados interno e externo. O salão apontou uma reação do mercado. Recebemos visita de todas as grandes varejistas do País. Acreditamos que, em 2010, teremos uma melhoria significativa nos negócios. A tempestade passou, mas agora falta realizar alguns ajustes”.

Na crise, os empresários aprenderam a ficar longe das dívidas, bem como perceberam a importância de investir na qualificação profissional e no design, para enfrentar momentos difíceis, enfatiza Fernandez.