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SÃO PAULO – Apesar do 2009 favorável para a economia brasileira, a tendência de valorização do câmbio tem se tornado um problema constante para o País este ano, e a tendência é que este cenário permaneça em 2010, na opinião da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
“O mundo pós-crise financeira deverá ser caracterizado pelo acirramento da competição nos mercados e a valorização da moeda brasileira expõe as dificuldades de competição, não apenas no caso das exportações, como também na competição com importados no próprio mercado doméstico”, defendem os analistas da entidade.
Queda do dólar deve ser mantida em 2010
Baseando-se em números do Banco Central, a CNI aponta a entrada de divisas internacionais no País como um dos principais alicerces para a valorização contínua da moeda brasileira. Segundo o relatório, a entrada entre abril e novembro desse ano (US$ 29,4 bilhões) já superou a saída de capital vista no agravamento da crise, no período entre outubro de 2008 e março de 2009 (US$ 22 bilhões).
Além disso, os analistas também destacam a manutenção da taxa básica de juro norte-americana nos patamares historicamente baixos, “o que estimula o endividamento naquela moeda para se investir em moedas que pagam juros mais elevados, como o Brasil”.
Acreditando que esses fatores continuem a influenciar na cotação do câmbio em 2010, a confederação acredita que a valorização do real “continuará a ser um problema a ser enfrentado pela indústria em 2010”. No entanto, esse ritmo deverá ser mais ameno em comparação ao de 2009, sendo esperado que o governo passe a atuar de maneira mais enfática na trajetória do câmbio.
“Acreditamos que o governo tentará conter a valorização, mas não conseguirá evitá-la totalmente”, afirmam os especialistas, projetando para o final do próximo ano uma taxa de câmbio em torno de R$ 1,70.
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Exportações mostrarão recuperação gradual…
Segundo a CNI, a queda da demanda internacional e, consequentemente, a redução nos preços adotados no mercado externo, deverão fazer com que o fluxo comercial brasileiro apresente em 2009 o primeiro recuo na passagem anual em sete anos, retornando aos níveis vistos em 2007.
“A perda de competitividade fez com que parceiros tradicionais do país na venda de produtos industrializados, como EUA e União Européia, perdessem importância na pauta de exportação”, afirmam os analistas, mostrando que a participação deles deverá cair 43,7% e 27,1%, respectivamente, na passagem entre 2008 e 2009.
Contudo, a recuperação mais rápida dos países emergentes frente aos desenvolvidos fez com que outros países ganhassem muito mais importância na pauta de exportações brasileiras. É o caso da China, que se torna um importante destino das vendas de materiais básicos. Dessa forma, a participação do país nas exportações passou de 8,5% para 13,6% na passagem anual, enquanto no mesmo período a fatia dos EUA passou de 14,1% para 10,4%.
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…mas ritmo das importações será mais acelerado
Apesar do cenário teoricamente mais propício, 2009 revelou uma trajetória declinante nos níveis de importações no Brasil, sendo visto um recuo tanto nos preços (queda de 8% no acumulado de 2009 até outubro em relação a 2008) quanto no volume (queda de 18% na mesma base comparativa).
“Embora a valorização do real dê estímulo às importações, a forte queda na atividade industrial e nos investimentos, além da escassez de crédito ocorrida sobretudo no início do ano, explicam a queda nas compras externas”, afirma a Confederação.
Contudo, a expectativa é de que em 2010 a compra de produtos estrangeiros mostre um ritmo de crescimento mais acelerado, “tendo em vista a manutenção do processo de substituição de matérias-primas domésticas por similares importados”, além do estímulo às compras de bens de consumo estrangeiros.
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Com isso, as projeções da CNI apontam que as importações devem registrar US$ 175 bilhões em 2010, crescimento de 38% em relação a 2009 e montante superior ao reportado em 2008. Já as exportações, que deverão ter maior participação nos países em desenvolvimento, devem totalizar US$ 188 bilhões no próximo ano. Apesar do número 24% maior do que o esperado em 2009, o desempenho é inferior ao visto no período pré-crise.
“Com os valores estimados para exportação e importação, o saldo comercial estimado para 2010 é de US$ 13 bilhões”, conclui a CNI.