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SÃO PAULO – Após um 2010 de acelerado crescimento, o setor de serviços aponta para o próximo ano com a perspectiva de continuidade na melhoria de fundamentos e um bom desempenho no mercado acionário. O consumo tende a permanecer sólido em 2011 e obras de infraestrutura são cotadas como drivers para alguns segmentos do setor.
Serviços financeiros
O segmento de cartões apresentou um crescimento de dois dígitos em 2010, tanto no número de unidades em circulação, quanto no volume financeiro, informou a ABECS (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços). Acompanhando o movimento, as ações da Contax e Valid despontaram acima do Ibovespa, movimentoo que a CSU não pode acompanhar principalmente devido a problemas operacionais.
“As perspectivas para o setor de serviços financeiros continuam positivas, em função do aumento da utilização de cartões e da continuidade do desenvolvimento do mercado financeiro”, dizem os analistas Jacqueline Lison, Mateus Renault e Luiz Guilherme Fonseco, em relatório do Banco Fator.
Valid (VLID3)
A antiga American BankNote e teve sua denominação alterada em meados de outubro, após a saída do antigo controlador ABN Equities. “O comportamento das ações da companhia, embora superior ao Ibovespa, não foi excepcional, pois o processo de recuperação dos resultados da companhia em 2010, após o fraco desempenho de 2009, foi mais lento do que esperávamos”, justificam os analistas do Fator.
A companhia teve o crescimento de suas unidades baseada na expansão da demanda por cartões smart; tanto pela substituição de cartões magnéticos por cartões com chips, quanto pela demanda de unidades SIM para operadoras de telefonia móvel. Para o próximo ano, o Banco Fator projeto a continuidade do crescimento dos cartões, muito por conta do aquecimento do setor de telefonia móvel e da maior bancarização dos brasileiros. A recomendação é de compra das ações.
Em 2011, a empresa espera retomar as licitações estaduais para impressão de documentos e deve manter a estratégia bem-sucedida de priorizar produtos de maior valor agregado em sua divisão gráfica. Por fim, a aquisição de parte da M4U – empresa que gere um sistema de recargas virtuais para celulares -, deve compensar o declínio da comercialização de cartões para telefones públicos.
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CSU (CARD3)
“O desempenho da CSU em 2010 foi decepcionante”, diz a equipe do Banco Fator em um relatório que aponta “desafios” para o próximo ano. A administradora de cartões sofreu com a dificuldade para reter clientes e não foi capaz de consolidar a união de suas operações em um grande site neste ano. “A empresa não aproveitou o crescimento do setor em 2010 e temos dúvidas se isso ocorrerá em 2011”, dizem pessimistas os analistas da Fator.
Entre os desafios para a empresa no próximo ano, está a retomada da divisão de processamento de cartões da CSU – a Cardsystem -, por meio da conquista e retenção de clientes. Vale lembrar que em 2012, mais um grande parceiro deve deixar a companhia, já que o HSBC decidiu internalizar o processamento de cartões de suas unidades globais.
Além disso, a CSU tende a estar focada em sua divisão de credenciamento, que até o momento só possui um cliente. Em 2010, a empresa fechou uma parceria com a Banrisul para fornecer serviços terceirizados nesta linha, mas os benefícios serão apresentados somente a partir do início de 2011. O setor é cogitado como um possível escape para o mau desempenho dos outros fronts da companhia.
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Por fim, tende a continuar o movimento para consolidação de operações em um grande site, a CSU.Contact. O portal ainda não trouxe resultados satisfatórios e opera com capacidade ociosa. “Não descartamos a eventual venda da divisão para a empresa concentrar-se unicamente em seu core business (cartões)”, dizem os analistas da Fator, em relatório.
Aluguel de veículos
Neste ano, o principal desafio das locadoras de veículos foi lidar com as perdas de valor de automóveis usados, já que o incentivo fiscal dado pelo governo federal a partir de 2009, por meio da isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), levou a uma forte desvalorização de preços. “Contudo, o pior momento já foi superado”, afirmam os analistas Ronaldo Kasinsky e Renato Prado, em relatório do Banco Fator.
Para 2011, as expectativas para o setor são de crescimento do volume de passageiros transportados, graças à intensificação do turismo; aumento das operações de aluguel de frota, à medida que avança a terceirização de serviços de empresas e do governo; além da consolidação do setor.
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Assim, “o principal foco das locadoras em 2011 será o incremento da frota e da expansão da rede de locadoras para se beneficiar da continuidade na retomada econômica do Brasil”, completam os analistas da Fator. Vale lembrar que o fato do País ter sido escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 deve trazer benefícios imediatos para as locadoras de automóveis, que atuam principalmente com turistas.
Localiza (RENT3)
Desta forma, a Localiza é apontada pelo Banco Fator como a agente consolidadora do segmento nos próximos anos, além de ser a preferência do Citigroup no setor. Em 2010, seus indicadores de eficiência operacional mostraram forte melhora, sustentados por um plano de investimento avaliado em R$ 2,5 bilhões, a fim de renovar e aumentar a frota.
No próximo ano, “a Localiza continuará a se beneficiar de sua escala e modelo de negócio diferenciado, com plataforma integrada”, diz o Fator. A recomendação é de compra das ações, com preço-alvo de R$ 45,07 para dezembro de 2011.
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A Raymond James destaca que a Localiza deverá se beneficiar de novos projetos de infraestrutura para atender as necessidades de eventos que o País sediará nos próximos anos. Desta forma, a empresa estaria bem posicionada para o que a Raymond James acredita ser um bom fim para 2010, com perspectiva de continuidade deste momento em 2011, segundo relatório.
Os analistas Alexandre Amson e Caio Dias, do Santander, preveem em relatório a manutenção dos bons números vistos no último trimestre para os próximos períodos, sustentados por um modelo de negócios bem sucedido, forte marca e administração experiente. Para eles, o mau momento financeiro de pares de mercado também favoreceu a companhia neste ano.
Unidas
A Unidas, locadora de carros do grupo português SAG, é a maior concorrente da Localiza e exemplo de dificuldades financeiras. Notícias apontam que a empresa necessita refinanciar uma dívida de R$ 535 milhões, o que diminui sua competitividade no setor para este e o próximo ano.
Programas de Fidelidade
No segmento de programas de fidelidade, a Multiplus (MPLU3), braço da TAM que estreou na Bolsa de Valores de São Paulo no início de fevereiro, mostra-se como o principal player de mercado dos programas de fidelidade. A empresa deve terminar 2010 com um caixa de R$ 900 milhões em dinheiro, segundo estimativa do Bank of America Merril Lynch. O Credit Suisse projeta um lucro líquido de R$ 114 milhões em 2010.
E os números da companhia prometem melhorar no próximo ano. O caixa deve atingir R$ 1,9 bilhão e os lucros, R$ 269 milhões, de acordo com as mesmas casas de research, respectivamente.
Após um ano de de forte faturamento, que impactou positivamente as ações, daqui para frente o Credit Suisse projeta que os drivers de valorização das ações serão a diversificação e a continuidade de forte geração de caixa e crescimento nos negócios. O banco de investimentos também prevê a destinação de capital para aquisições e distribuição de dividendos no próximo ano.
Para o Bank of America, mesmo com os baixos yields projetados para 2011, na maioria das classes de ativos, mais lucros devem vir para a Multiplus. “Para os investidores preocupados com as altas taxas do Brasil, a Multiplus é uma empresa livre de dívida e que deve terminar 2010 com todo seu caixa investido em taxas locais”, dizem os analistas Sara Delfim e Renato Mimica, em relatório.