Setor de consumo e varejo lidera recomendações pelo terceiro mês consecutivo

De um total de 152 sugestões em julho, ações do ramo receberam 29 indicações; setor financeiro mantém o segundo lugar

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SÃO PAULO – O setor de consumo e varejo aparece no topo da relação dos mais citados nas carteiras para julho, conforme mostra levantamento realizado pela InfoMoney. É o terceiro mês consecutivo em que o segmento aparece na primeira colocação da lista.

Dentre a avaliação de 17 corretoras e bancos de investimento para o mês, as ações do ramo registraram com certa folga o maior número de sugestões. De um total de 152 indicações, 29 são para ativos do setor, sete a mais do que receberam as instituições do setor financeiro, que se manteve na segunda posição.

Consumo reaquecido no Brasil

De um modo geral, em linha com a recente melhora de cenário para o segmento, os analistas seguem confiantes na capacidade de manutenção dos bons níveis de venda entre as varejistas do País. A Coinvalores, por exemplo, acredita que os sucessivos cortes na taxa Selic – atualmente em 9,25% ao ano – incentivam os consumidores a irem às compras.

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No mesmo sentido, os analistas também destacam os efeitos positivos trazidos pela prorrogação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) da linha branca, que inclui os eletrodomésticos de maior porte, como fogão e geladeira. Na visão da Ativa, a medida deve impulsionar as vendas do varejo especializado no segmento.

O Santander, por sua vez, acredita que a desaceleração econômica vista nesse ano se inverterá no ano que vem, fortalecendo as varejistas brasileiras. Numa avaliação mais específica, a instituição vê com bons olhos a volta do crescimento do comércio eletrônico no Brasil, que ainda possui baixa penetração e poucos concorrentes.

Já na opinião da Ágora, mesmo com a perspectiva de um “cenário desafiador” para o varejo neste ano, especialmente no primeiro semestre – devido ao desaquecimento na atividade econômica, recuo do crédito e da confiança do consumidor, assim como aumento dos níveis de desemprego e de inadimplência – ainda existem boas oportunidades de investimento no setor.

Bancos brasileiros bem posicionados

Com 22 indicações, os papéis do setor financeiro seguem no segundo lugar dentre os mais recomendados. Como de costume, os especialistas elogiam os sólidos fundamentos e os bons níveis de capitalização e rentabilidade dos bancos brasileiros. Além disso, a postura resiliente frente à crise e o processo de consolidação do setor também atraem as sugestões.

Neste contexto, a Socopa afirma que as instituições financeiras do País estão atrasadas em relação ao mercado, uma vez que são bem fundamentadas, capitalizadas e reguladas, podendo suportar a carência de crédito no exterior. Em suma, a corretora afirma que elas não apresentam os complexos instrumentos financeiros que levaram à crise internacional.

A Fitch Ratings, por sua vez, acredita que, passado o baque inicial da crise, os bancos brasileiros seguem bem posicionados para administrar o cenário de desaceleração econômica. Assim, a agência destaca que indicadores de rentabilidade continuam mostrando retorno sobre o patrimônio líquido de dois dígitos, entre outras medidas em níveis expressivos se comparados ao obtido pelo setor no restante do mundo.

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Por fim, a badalada oferta de ações da VisaNet também contribuiu para deixar o setor em evidência. Depois de conseguir a maior captação da história de um IPO (Initial Public Offer) no mercado doméstico, de R$ 8,397 bilhões, a administradora de cartões alcançou um valor de mercado de quase R$ 23 bilhões – entre os 15 maiores da bolsa – com a forte alta de 11,8% de seus papéis na estreia.

Elétricas se beneficiam de postura defensiva

Na sequência, com 20 recomendações, o setor de energia e saneamento mantém a terceira colocação. Em meio ao persistente cenário de incertezas nos mercados, os analistas seguem apontando o segmento como ponto de segurança aos investidores.

De acordo com o HSBC, as empresas do setor contam com fluxos de caixas estáveis, algo bastante desejável em momentos de instabilidade. Em função disso, devem apresentar melhores resultados em 2009 na comparação com outros setores, acredita a instituição, tendo em vista a relativa estabilidade das receitas e custos, além da baixa exposição à dívida externa das elétricas.

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A equipe do Bradesco, por sua vez, mantém uma visão positiva para os ativos do segmento, “devido aos bons valuations e aos rendimentos elevados”. Dentre os diversos fatores elogiados pela instituição, destaque para a situação financeira confortável da maioria das empresas e para as boas expectativas quanto aos preços de geração e ao crescimento do setor.

Destaque também para a Standard & Poor’s, que elevou na última segunda-feira (6) a perspectiva dos ratings de nove empresas do segmento. “Apesar da recessão global, o desempenho financeiro das empresas do setor em geral têm sido estável, amparado pela firme demanda por energia para a maioria dessas companhias, por uma estrutura tarifária que protege a geração de caixa das companhias e pelos seus importantes esforços de gerenciamento de passivos efetuados nos últimos dois anos”, afirma a agência.

Confira o número de recomendações de cada setor:

Setor Recomendações Porcentagem
Consumo e Varejo 29 19,08%
Financeiro 22 14,47%
Energia e Saneamento 20 13,16%
Siderúrgico 15 9,87%
Petróleo e Gás 14 9,21%
Mineração 13 8,55%
Telecomunicações 13 8,55%
Industrial 8 5,26%
Transporte 8 5,26%
Petroquímico 4 2,63%
Imobiliário 3 1,97%
Papel e Celulose 2 1,32%
Tecnologia e Informática 1 0,66%
Total 152 100%

As carteiras selecionadas neste mês são de: Ativa, BB Investimentos, Bradesco, Coinvalores, Credit Suisse, Fator, HSBC, Itaú, Omar Camargo, Pilla, Planner, SLW, Socopa, Spinelli, TOV, Win e XP Investimentos.