Setor aéreo deverá se consolidar em 2012 e reportar melhores resultados

Para analistas, grandes investimentos devem guiar o setor; recomendações para GOL e TAM mostram divergência

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SÃO PAULO – Depois de um 2011 difícil, um ambiente desafiador, mas com boas perspectivas, é o que espera as empresas do setor de transporte aéreo em 2012, segundo a previsão dos analistas consultados pelo InfoMoney.

“2011 foi um ano bom em termos de demanda, mas em termos de resultados das empresas, foi ruim”, diz analista da SLW Corretora, Rosângela Ribeiro, sobre o desempenho das companhias aéreas brasileiras em 2011, mercado dominado pelas gigantes GOL (GOLL4) que fechou o ano com desvalorização de -49,79% e TAM (TAMM4) com -4,92%. A queda mais forte de GOLL4 em relação a TAMM4 refletiu principalmente o corte de guidance anunciado pela empresa no final de julho – no pregão em questão, os papéis da companhia despencaram 21,62%.

Segundo a analista, a pressão de custos por conta do aumento do preço do petróleo e a guerra tarifária, acirrada no terceiro trimestre de 2011, foram os responsáveis pelo resultado ruim no último ano. “Em 2012 o cenário será de continuidade do crescimento da demanda, com uma recuperação do caixa e melhor resultado no final do ano. O ano de 2012 será melhor”, espera Rosângela.

A dupla de analistas do Bradesco BBI , Edigimar Maximiliano e Luiz Peçanha, também projeta um cenário melhor para as aéreas em 2012 em comparação ao observado em 2011, quando os rendimentos caíram também devido ao aumento na disponibilidade de assentos e uma maior concorrência que reduziu a rentabilidade das empresas.

“Prevemos o aumento da capacidade em 2012 menor em relação ao crescimento esperado na demanda, o que deve resultar em níveis mais elevados de eficiência e produzir rendimentos também maiores. Além disso, esperamos que preços do petróleo mais estáveis no curto prazo. No fronte interno, estamos confiantes de que o mercado permaneça forte, sendo o principal motivo para o crescimento da demanda”, enfatizam.

O que ficar de olho em 2012?
Entre os fatores externos que devem ser acompanhados de perto pelos investidores, estão o preço do petróleo, câmbio e concorrência, que provavelmente se movimentarão em direções opostas em 2012, e impactarão diretamente no desempenho das aéreas.

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Para Rosângela Ribeiro, também entram nesta conta a possibilidade do Governo aprovar o projeto que permitirá a maior participação do capital estrangeiro nas aéreas, passando de 20% para 49%. “Este projeto permitirá a reestruturação societária das companhias. Se o Governo permitir essa participação, poderá haver algum processo de fusão no mercado, uma consolidação do setor, permitindo que a pequenas empresas participem mais ativamente da disputa”, explica.

Sendo assim, a analista reforça que entre os três braços do segmento de transportes – concessionárias e transporte rodoviário; logística hidroviária e companhias aéreas, esta última será a prioridade no próximo ano. Isso se dará especialmente em função dos investimentos destinados aos projetos de infraestrutura que contemplarão a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016.

Devem estar também no radar dos investidores em 2012 três grandes aeroportos – Guarulhos, Viracopos e Brasília – que poderão ser licitados ao setor privado no 1T12, conforme já anunciado pela Secretaria de Aviação Civil.

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Recomendações divergentes
Por fim, o analista da UM Investimentos, Gustavo Hon, recomenda a manutenção dos papéis das duas aéreas. “É um setor para manter e observar o comportamento da demanda, e do seu crescimento, no ano que vem antes de comprar”, explica.

Por sua vez, Rosângela Ribeiro atribui a recomendação de compra para o setor, devido ao cenário positivo esperado em 2012. Entre GOL e TAM, a analista da SLW dá preferência às ações da primeira empresa, tendo em vista o desempenho bastante descolado em relação à TAM visto em 2011.

Por fim, o time de análise do Bradesco BBI sugere recomendação outperform (performance acima da média do mercado) para GOLL4. A recomendação das ações da TAM estava em revisão no relatório de perspectivas divulgado pelo banco.