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SÃO PAULO – A mera confrontação de números entre duas empresas pode ser enganosa, como mostra a análise dos resultados da TAM (TAMM4) e da GOL (GOLL4), principais empresas do setor aéreo brasileiro, que reportaram lucros na última semana. Enquanto a primeira reverteu prejuízo e registrou lucro líquido de R$ 348 milhões no terceiro trimestre, a GOL reportou lucro líquido de R$ 77,9 milhões no mesmo período.
Comparação
Em uma primeira comparação, o mais normal seria considerar o resultado da TAM superior, com conseqüente valorização das suas ações no mercado. Entretanto, os papéis da empresa caíram 5,98% no pregão de 12 de novembro, mesmo dia em que a empresa reportou resultados. E as ações da GOL, por sua vez, subiram 2,75% no dia 9 de novembro, após a divulgação dos lucros da empresa.
Fatores conjunturais e uma análise mais acurada dos resultados podem explicar a suposta incongruência do mercado. Entretanto, antes de tudo, é preciso lembrar o comportamento do Ibovespa nos dias citados. Enquanto no dia 9 o principal índice da bolsa brasileira subiu 2,71%, no pregão de quinta-feira (12), a bolsa mostrou desvalorização de 2,99%, em sessão marcada por realização de lucros.
Ainda assim, as ações da TAM foram a segunda maior queda do índice, o que pode ser explicado por um resultado abaixo do esperado, segundo analistas do Bradesco, Citi, Itaú Corretora e Link. Embora o lucro tenha sido maior que o da GOL, os analistas apontam para resultados em linha ou abaixo das projeções, e fluxo de caixa das operações negativo.
Margens
Em geral, a margem Ebit (lucro antes de juros e impostos) de 2,5% da TAM foi considerada fraca pelas corretoras, e os analistas do Bradesco afirmaram em relatório que isso teria impacto neutro ou negativo nas ações no curto prazo. A equipe destacou ainda o lucro líquido e ganhos financeiros abaixo das expectativas, mas manteve a classificação acima do mercado para as ações da empresa, citando que “não houve surpresas com os volumes”, e a performance operacional positiva no segmento internacional.
Já as margens da GOL foram ressaltadas pelos analistas do Bank of America Merrill Lynch e do Morgan Stanley. Os dois bancos receberam o resultado da companhia positivamente, destacando os ganhos operacionais e a expectativa de aumento dos rendimentos, uma vez que a empresa está bem posicionada.
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A equipe do Citi, por sua vez, acredita que as margens estão piores do que no período pré-crise, e com o aumento da competitividade, juntamente com a alta elasticidade da demanda, os analistas reduziram as projeções e recomendaram a venda das ações da empresa. O relatório chama a atenção dos investidores para não confundirem programas de fidelização com maiores rendimentos, afirmando que eles tendem a cair, embora as taxas de ocupação devam aumentar.
Concorrência
Os analistas da Link destacaram o papel da guerra de preços praticada no setor na análise das duas empresas. No caso da TAM, a equipe destaca o espaço para aumento de rentabilidade via reajuste de tarifas, crescimento da demanda e redução de despesas, mantendo assim a recomendação de compra.
Para a GOL, a captação de R$ 627,1 milhões via emissão de ações deixa a situação do caixa confortável, e os analistas destacaram ainda a grande redução de despesas comerciais, fruto de ganhos de sinergia pela unificação das operações com a Varig.
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Mercado doméstico
Os analistas do Citi e do Itaú destacaram a queda de 27% nos yields domésticos da TAM, na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. Para o Citi, o fluxo de caixa decepcionou e veio muito mais negativo que o esperado, e para o Itaú o consumo de combustível alto também impactou negativamente.
O BofA Merrill Lynch acredita que o aumento das tarifas domésticas deve ajudar a recuperar parte da perda de rendimento da GOL. Os analistas diminuíram suas projeções para a empresa para este ano, mas mantiveram a visão positiva para 2010.