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A estreia do Semavy no mercado brasileiro de medicamentos GLP-1 pode estar acontecendo em ritmo mais acelerado do que o previsto pelo Morgan Stanley. Dados de importação provenientes da Índia chamaram a atenção dos analistas e podem representar um primeiro sinal de que a oferta do produto da Hypera (HYPE3) está avançando além das estimativas atuais do banco.
Cabe ressaltar que o remédio da Hypera não é fabricado no Brasil, sendo fruto de parceria com a indiana Sun Pharma, que fabrica o remédio na Índia, sob marca e registro da brasileira.
As importações indianas dentro da classificação aduaneira de medicamentos polipeptídicos acompanhada pelo banco chegaram a US$ 13,8 milhões em agosto e setembro, equivalentes a aproximadamente R$ 69 milhões, considerando câmbio de R$ 4,98 por dólar.
É um montante expressivo quando confrontado com as projeções para a Hypera: corresponde a aproximadamente duas vezes os R$ 34,5 milhões de receita bruta de GLP-1 estimados pelo Morgan Stanley para o terceiro trimestre e a cerca de 72% dos R$ 95,3 milhões previstos para todo o ano de 2026.
A comparação, porém, exige cautela, uma vez que os dados alfandegários não permitem identificar individualmente os medicamentos importados, avalia o banco. A categoria analisada inclui ainda outros medicamentos polipeptídicos além dos GLP-1, embora esses produtos tenham se tornado menos representativos. Além disso, valor importado e receita bruta não são diretamente comparáveis, e parte das compras pode simplesmente refletir a formação de estoques antes das vendas ao consumidor.
Ainda assim, na avaliação dos analistas, o Semavy é o candidato mais plausível para explicar uma parcela relevante das importações indianas, devido à sua cadeia de suprimentos baseada na Índia e ao lançamento ocorrido em setembro.
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Importações da Índia aceleram
Os números de setembro reforçam a mudança observada na origem das importações. O volume proveniente da Índia aumentou 24% na comparação mensal, para 26,8 toneladas, depois de saltar de somente 0,4 tonelada em julho para 21,6 toneladas em agosto. Em valor, houve avanço de 13% em setembro, para US$ 7,3 milhões.
O movimento contrasta com a queda das importações totais no mês. Em setembro, o valor importado de medicamentos da categoria acompanhada pelo banco caiu 67% ante agosto, enquanto o volume recuou 44%. Em relação ao mesmo período do ano anterior, as quedas foram de 57% e 21%, respectivamente.
A Itália exerceu a maior pressão negativa mensal, com quedas de 94% em valor e 97% em volume. Os embarques dos Estados Unidos também diminuíram, respectivamente, 56% e 48%. Com a mudança na composição por países e produtos, o preço médio implícito das importações caiu 40% no mês, para US$ 348 por quilo.
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Para o Morgan Stanley, portanto, os dados oferecem um sinal inicial, mas ainda não conclusivo, de que a oferta inicial do Semavy pode estar evoluindo acima das premissas atuais.
Preços de GLP-1
A expansão da oferta acontece em um mercado que começa a mostrar sinais de estabilização de preços depois das mudanças competitivas recentes.
Segundo o acompanhamento do Morgan Stanley, os preços dos GLP-1 ficaram relativamente estáveis em setembro. A principal exceção foi o Rybelsus, que caiu aproximadamente 6% no mês, para R$ 584.
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O Semavy permaneceu perto de R$ 325 por caneta, aproximadamente em linha com o Ozivy e reforçando esse nível como o piso atual de preço para a semaglutida. O Mounjaro permaneceu próximo de R$ 1.329 por caneta, enquanto a maioria dos demais medicamentos apresentou pouca alteração.
A queda mais relevante ocorreu anteriormente, especialmente entre alguns produtos de semaglutida, enquanto as cotações passaram a mostrar maior estabilidade no período mais recente.
A estabilização não significa redução da competição, aponta o Morgan Stanley, que identifica uma mudança na forma como as redes farmacêuticas disputam o consumidor.
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As farmácias passaram a promover de maneira mais explícita parcelamentos sem juros, principalmente nos medicamentos de maior valor, mas também nos produtos mais baratos.
No levantamento do banco, um combo com duas unidades de Mounjaro de 2,5 mg ou 5 mg custava R$ 2.250 em diferentes redes. Raia, Drogasil, Pague Menos, Extrafarma e Drogaria Araujo ofereciam pagamento em seis vezes sem juros, enquanto a Panvel oferecia cinco parcelas.
Para o Semavy de 1 mg, o combo com três unidades aparecia a R$ 999 nas redes acompanhadas, com parcelamentos chegando a seis vezes sem juros.
Na avaliação dos analistas, o movimento indica que, depois da maior estabilização dos preços de tabela, a competição está se deslocando também para as condições de pagamento, que passam a funcionar como instrumento para aumentar acessibilidade e conversão em vendas.
GLP-1 pode vender muito mais que a caneta
Outro ponto destacado é que a oportunidade comercial para farmácias e fabricantes pode ultrapassar o próprio medicamento. O banco acredita que a adoção dos GLP-1 tende a gerar efeitos crescentes sobre categorias como beleza, cuidados pessoais e nutrição, criando oportunidades de venda cruzada.
A própria Hypera lançou o Semavy acompanhado de um programa de descontos envolvendo mais de 50 produtos de seu portfólio, além da linha Semavy Nutri, composta por suplementos de proteínas e fibras.
A Panvel (PNVL3), por sua vez, relatou aumento da procura por colágeno, shampoos contra queda de cabelo e tratamentos voltados ao fortalecimento dos fios, conforme mencionado no relatório.
Dados mais amplos das farmácias também apontam crescimento: as vendas de dermocosméticos avançaram 8,2% em valor e 5,8% em unidades nos últimos 12 meses, apesar de preços relativamente estáveis, segundo dados da Scanntech citados pelo Morgan Stanley. O banco ressalta que ainda é difícil determinar quanto desse movimento decorre diretamente dos GLP-1.
A leitura, porém, é de que fabricantes e varejistas estão tentando capturar um ecossistema de consumo mais amplo criado pelo avanço dessa classe de medicamentos.
O que muda para Hypera?
Para a Hypera, o dado mais relevante é a possibilidade de o Semavy estar ganhando escala mais rapidamente que o previsto. O banco mantém recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para Hypera (HYPE3).
A confirmação da leitura, contudo, ainda dependerá de os produtos importados efetivamente se converterem em vendas. O próprio Morgan Stanley ressalta que os números de setembro da IQVIA ainda não estavam disponíveis e que as importações podem refletir formação de estoques.
Para as farmácias, o cenário evidencia uma oportunidade e um desafio, já que a chegada de alternativas mais baratas amplia a acessibilidade aos GLP-1, enquanto parcelamento e venda de produtos complementares criam novas ferramentas comerciais. Ao mesmo tempo, o número crescente de concorrentes torna a disputa cada vez menos dependente apenas do preço da caneta.
Na cobertura de saúde do Morgan Stanley, Pague Menos (PGMN3), Hypera (HYPE3), RD Saúde (RADL3), Rede D’Or (RDOR3) e Dasa (DASA3) aparecem com recomendação overweight no relatório.
O movimento das importações indianas adiciona, portanto, uma nova peça à disputa dos GLP-1 no Brasil: se o volume estiver de fato ligado ao Semavy e se converter rapidamente em vendas, a Hypera pode estar entrando nessa competição em escala superior à inicialmente projetada pelo Morgan Stanley. Por enquanto, o próprio banco trata os dados como um sinal inicial relevante, mas não como confirmação.
