Semana terá turbulências com Eike, teto da dívida dos EUA e Copom

Com governo paralisado, Congresso norte-americano tem até dia 17 de outubro para decidir se aumenta o teto da dívida; quanto mais a demora, mais tenso o mercado fica

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SÃO PAULO – A semana termina sem nenhuma definição sobre a situação nos EUA, onde o governo iniciou uma paralisação temporária na terça-feira por causa da falta de aprovação do orçamento do país. Com isso, o mercado passou por grande volatilidade e tendência negativa em um cenário onde se aproxima o prazo máximo para que o Congresso aprove o aumento do teto da dívida norte-americana, que deve atingir seu limite no dia 17. Mas essa não deverá ser a única grande referência da semana: a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) e o cenário corporativo das ações do grupo EBX também chamam atenção. 

A próxima semana será decisiva para que os EUA cheguem a uma decisão, caso isso não ocorra, não só o mercado norte-americano, mas todo o mundo deve sofrer graves consequencias. “O Tesouro dos EUA é o que mais emite dívidas, não só investidores, mas diversos países compram esses títulos e se o governo de lá não pagar o efeito pode ser devastador”, explica o economista Alex Agostini, da Austin Rating.

Já o economista Marcelo Torto, da Ativa Corretora, afirma que o mercado já dá sinais que acredita na resolução desse impasse antes do dia 17, mas ele ressalta que a cada dia que passar sem uma decisão deve levar os investidores a ficarem mais tensos, o que pode aumentar a volatilidade do mercado.

Já o gestor de investimentos da Lecca, Carlos Haber, explica que o Brasil seria um dos mais impactados caso os EUA não cheguem a uma solução. “O Brasil está entre os três maiores credores dos norte-americanos, imagine o impacto que teria”, diz ele, que ainda complementa afirmando que a China é o maior credor dos EUA, e um impacto negativo no gigante asiático iria refletir em todo o mundo.

“É muito provável que o problema do teto seja resolvido até dia 17. Se o país ficar sem pagar seus credores a sua imagem ficará muito manchada e, em um momento em que os EUA está tentando resgatar sua imagem de país mais forte do mundo, poderia prejudicar muito mais a economia deles”, afirma o gestor.

Porém, este não será o único foco dos investidores nos EUA. Na quarta-feira (9) será divulgada a ata da última reunião do Fomc, onde o Federal Reserve decidiu manter o atual programa de estímulos inalterado. O documento pode indicar quais os planos da autoridade monetária em relação ao QE3, mesmo com uma sinalização recente de que a redução do programa pode demorar um pouco mais para acontecer.

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Copom e inflação agitam o Brasil
Na agenda doméstica, dois indicadores devem chamar bastante atenção do mercado nos próximos dias. Em destaque, a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que ocorre entre terça e quarta-feira, onde o Banco Central decide sobre o futuro da taxa básica de juros no Brasil, atualmente em 9%.

Para Carlos Haber, este pode ser o último aperto mais forte na política monetária, sendo que para ele, a taxa Selic deve encerrar 2013 em 9,75%. Já a equipe da Rosenberg Associados, diz que o foco deve ficar com o comunicado do BC, que pode trazer informações importantes sobre o rumo da política monetária, especialmente sobre sua continuidade ou alguma pista se pretende elevar a Selic novamente a dois dígitos no futuro.

Eles ressaltam que as declarações mais duras de Carlos Hamilton, diretor do BC, e ambíguas de Alexandre Tombini, presidente da autoridade monetária, em relação à inflação e política monetária ainda geram dúvidas no mercado.

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Já no final da semana, as atenções ficarão com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de setembro, considerado o dado de inflação oficial do Brasil. No início desta semana, o Relatório Trimestral de Inflação do governo mostrou que a expectativa do BC para a inflação este ano fique em 5,8%, acima do centro da meta estabelecida.

Semana decisiva para Eike Batista
Dentro da bolsa brasileira, as atenções devem ficar com as ações do Grupo EBX, de Eike Batista, com destaque para a OGX Petróleo (OGXP3) e para a OSX Brasil (OSXB3), que seguem lutando para evitar entrarem em recuperação judicial, principalmente após a petrolífera anunciar esta semana que não irá pagar seus credores.

De acordo com reportagem do Wall Street Journal, na próxima semana, executivos da OGX terão uma última chance para resolver este impasse, com uma reunião entre a empresa e seus credores. Ainda de acordo com o jornal, pessoas próximas à negociação afirmaram que os credores teriam assinado acordos de confidencialidade, que garantem a revisão do plano de reestruturação da companhia pela última vez.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.