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SÃO PAULO – A volatilidade volta a tomar conta do mercado de capitais nesta semana, segundo a visão de analistas. As principais causas resultam da expectativa quanto a indicadores econômicos ainda em marcha lenta, bem como incertezas a respeito da crise fiscal grega.
“É provável que os preços dos ativos se mantenham voláteis (…) até que se consiga enxergar melhor a saída para a crise da Grécia (e talvez de alguns países de alto risco na região) e até que se tenha uma definição clara sobre a reforma financeira nos EUA”, resumiu a situação a equipe de analistas da MCM Consultores Associados.
Para o time, os dois assuntos principais – reforma financeira e crise fiscal – ainda passam por períodos de indefinições e geram mais dúvidas aos investidores, interferindo, assim, no mercado acionário mundial.
Na Grécia
Eles explicam que no caso da Grécia, além da dificuldade encontrada para resolver o problema e delinear se o país precisa ou não de ajuda monetária externa, há um ponto de interrogação sobre a questão da viabilidade de longo prazo da união monetária europeia.
“Mesmo que o caso grego seja resolvido nos próximos meses, com apoio da União Europeia ou do FMI [Fundo Monetário Internacional], fenômenos semelhantes podem vir a ocorrer nos países economicamente mais frágeis da região, que vêm ‘cortejando’ o default há longo tempo e que praticamente chegaram à beira do precipício por efeito da crise financeira e da recessão”, analisa a MCM.
Os analistas lembrar que a situação grega é complicada, uma vez que são € 20 bilhões em dívida pública a ser rolada entre abril e maio e mais € 30 bilhões até o final do ano.
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Contudo, eles destacam que com a queda de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009 e uma pequena queda adicional neste ano, há forte resistência ao necessário aperto fiscal, o que pode agravar a situação do país no curto prazo.
Nos EUA
Ao mesmo tempo em que a Grécia e a Europa tenta resolver seus problemas internos, os Estados Unidos encabeçam a tão falada reforma financeira pós-crise. Para os analistas da consultoria MCM, este é o segundo fator que vem trazer volatilidade ao mercado nesta semana.
“A percepção que prevalece nos mercados de ativos é que, ainda que necessárias no longo prazo, mudanças no sistema financeiro neste momento, em que os bancos ainda estão fragilizados, só terão o efeito de inibir ainda mais o crédito e retardar a recuperação da economia”, comentam.
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Isso vale especialmente se as medidas mais radicais propostas pelo governo Obama forem aprovadas, mesmo que de forma atenuada, uma vez que exigirão um período mais longo de adaptação da indústria financeira.
“Por isso, os preços dos ativos oscilam ao sabor das novas informações que vão surgindo: para baixo quando aumenta a chance de aprovação e para cima quando diminui”, falam.
Entre as medidas, estão a modernização do sistema de regulamentação e supervisão do sistema financeiro, com regras mais abrangestes e rigorosas não só para bancos comerciais. A intenção é diminuir a tomada de risco, desenvolver mecanismos de proteção ao patrimônio das instituições e melhorar a fiscalização. Como exemplo de medida mais radical está a limitação às fusões e aquisições.
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“Entretanto, no curto prazo prevalecem as incertezas sobre a natureza das mudanças que serão aprovadas, o tempo de adaptação da indústria bancária a elas e os efeitos sobre a retomada da economia”, concluem.
Ibovespa
Para a bolsa brasileira, a expectativa é de que acompanhe de perto as movimentações internacionais, os indicadores econômicos e também as notícias de empresas locais.
“As bolsas estão querendo melhorar, mas acho que temos que prestar atenção no grau de risco dos europeus, via moedas, e ficar de olho no projeto de reestruturação do setor financeiro que será enviado por Barack Obama ao Congresso”, atentou George Sanders, analista de renda variável da Infinity Asset Managemant.
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Ele acredita que o Ibovespa pode chegar aos 71 a 72 mil pontos, mas que nestes níveis já seria uma posição de venda para o índice. “Olho na Vale do Rio Doce, que permanece dependente das notícias de reajuste do preço do minério no mercado internacional, e também na Petrobras, com o plano de capitalização da companhia e sua tramitação no Congresso Nacional”, adiciona.
Brasil
Com indicadores de desempenho econômico e inflação, a semana promete ser de atenção aqui no Brasil. Na terça-feira (9) e na quarta-feira (10), são os índices de inflação que chamam a atenção: IPC-FIPE e IGP-M, ambos prévia.
Na quinta-feira (11), o IBGE divulga o PIB referente ao quarto trimestre de 2009. No mesmo dia sai também vendas de varejo de janeiro. Ambos são aguardados com expectativa, uma vez que o mercado espera melhora da atividade econômica brasileira.
“Tudo isto será levado em conta pela diretoria do BC que se reunirá semana que vem na 2ª reunião do ano do Copom. Acreditamos que o BC deve começar o aperto monetário já nessa reunião, mas a magnitude permanece a mesma que anteriormente prevista: saindo a Selic dos atuais 8,75% para 11,25%”, comenta o time de research do Santander.
Agenda Internacional
Nesta semana, com uma agenda econômica fraca nos EUA – que tem como destaque apenas os números do varejo na sexta-feira (12) – as atenções nos mercados internacionais se voltam para a China.
“O gigante asiático vai divulgar diversos dados de atividade e inflação na quarta-feira (10),com reflexos nos preços de commodities. Ainda em relação à China, tem sido destacada nesta abertura de semana a declaração de diretor do BC, sugerindo possíveis mudanças no regime cambial na direção de uma moeda menos depreciada e menos atrelada ao dólar”, destacou a equipe de research do banco Schahin.
Além disso, sai na Europa, os dados da indústria do Reino Unido e da Zona do Euro de janeiro. Nos Estados Unidos, além das vendas de varejo, serão conhecidos também confiança do consumidor de Michigan, estoques das indústrias e estoques no atacado.