Semana pode ser de correção positiva para a bolsa, após perdas recentes

Agendas econômicas nos EUA e na Europa tendem a dar tom mais positivo, enquanto cresce expectativa por Copom

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SÃO PAULO – Apesar da recuperação mostrada pelo Ibovespa nesta sexta-feira (15), a semana foi marcada pelo recuo do principal índice da bolsa paulista, com cinco pregões consecutivos de queda até quinta-feira. Para André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, esse período de volatilidade grande por que passa o índice é devido a um conjunto de variáveis ainda pouco claras.

O câmbio, por exemplo, tem tendência de valorização no curto prazo, mas não se sabe para qual patamar, indica Perfeito. Para Jimega Zuniga, do Barclays, o governo está mais disposto a aceitar um real mais forte para auxiliá-lo no combate à inflação doméstica. Ainda de acordo com o banco inglês, a afirmação feita pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o fluxo de capitais continua intenso e que a apreciação da divisa brasileira é inevitável mostra uma mudança de atitude importante. 

Em declaração à Bloomberg, no entanto, o ministro disse nesta sexta que o mercado interpretou erroneamente sua fala e que o governo continuará a adotar medidas para conter a vinda de capital para o Brasil. “Estamos preocupados com ambos”, afirmou, referindo-se à taxa de câmbio e à inflação.

Ritmo menor no aperto…
André Perfeito, no entanto, não aposta em outras ações, pois o governo pode estar tentando agir de forma apenas verbal, já que Mantega sabe as limitações para contenção da queda do dólar, um movimento de escala global. Salomão Santos, diretor de operações da iCash Investimentos, acredita que o Banco Central continuará a intervir por meio de compras no mercado à vista, mas com a força da entrada de capital no Brasil, é possível que a eficiência seja baixa. 

Para não colocar ainda mais pressão no câmbio, entre outros motivos, o economista da Gradual aposta que o Copom (Comitê de Política Monetária) irá elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual em sua próxima reunião, diminuindo o ritmo do aperto monetário. A Prosper, em relatório assinado pelo economista-chefe Eduardo Velho, manifesta-se no mesmo sentido.

“Uma redução do ritmo de alta da Selic na próxima semana iria ratificar a sinalização dos documentos do BC e sobretudo de suas projeções, independentemente se o mercado possui expectativas divergentes em relação à previsão de inflação”, escreveu em nota o economista da Prosper. Com última elevação, a Selic iria a 12,00% ao ano, o que encerraria o ciclo de arrocho ao menos por ora, segundo Perfeito, da Gradual. 

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…ou fim do ciclo?
Se, de fato, o Banco Central sinalizar uma interrupção do aperto, acredita Santos, o Ibovespa pode observar reação positiva. Vale lembrar, no entanto, que Alexandre Tombini, presidente da autoridade monetária, disse nesta sexta que “estamos no meio de um ciclo de aperto monetário”, além de lembrar também que o governo tem adotado políticas macroprudenciais para moderar o crescimento do crédito. 

As expectativas com o Copom devem dominar a pauta doméstica dos próximos dias, com a semana mais curta por causa do feriado de Tiradentes e de Páscoa. Mas, vale lembrar, a decisão só será comunicada na quarta-feira (20), após o encerramento do pregão. Desse modo, a atenção do investidor ficará voltada também para a inflação doméstica, com índices importantes como a segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de preços – Mercado) e o IPCA-15 (Índice Preços ao Consumidor Amplo), ambos de abril. 

Agenda internacional é positiva
Na cena externa, Perfeito também destaca os dados do mercado imobiliário na agenda norte-americana, especialmente os números referentes ao início de construção de novos imóveis e concessão de alvarás para residências. Para o economista da Gradual, estes dados devem contribuir positivamente com o mercado, lembrando que outras indicadores econômicos, como produção industrial e confiança do consumidor, surpreenderam. 

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Além disso, na Europa, será publicado o PMI da Zona do Euro, que serve como uma preliminar da produção industrial e para o qual também se espera alta, bem acima da taxa de corte (que indica atividade crescente) de 50 pontos. Santos, por sua vez, lembra que na quarta-feira Portugal deverá fazer nova emissão de títulos e a receptividade será importante mesmo após o pedido de ajuda financeira feito pelo país. Isso porque caso a demanda seja alta, o mercado fica menos avesso ao risco e mais tranquilo também em relação à Espanha. 

Para Santos, apesar da necessidade de atenção para a liquidez e para o fluxo de investidor estrangeiro para a BM&F Bovespa (BVMF3) em uma semana que é mais curta, esses dados devem contribuir para que o índice volte a superar ao menos os 67 mil pontos.

Balanços adicionam volatilidade
Mas, se de uma lado os indicadores acenam com otimismo, de outra a temporada de balanços nos Estados Unidos, que se intensificará na próxima semana, pode trazer volatilidade. Por enquanto, número de empresas de grande porte como Alcoa, Google e Bank of America Merrill Lynch ficaram aquém das estimativas. 

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Para a próxima semana, Citigroup, Intel, Apple e Wells Fargo são algumas das empresas que irão reportar ao mercado seu balanço do primeiro trimestre de 2011. Para Perfeito, o problema não é que os resultados têm vindo fracos, e sim que após um trimestre de números fortes produzidos pela economia norte-americana, as estimativas também foram jogadas para cima. 

De qualquer modo, o economista da Gradual não se surpreenderia caso tivéssemos uma semana positiva, corrigindo parte das perdas recentes.