Publicidade
SÃO PAULO – A semana termina com o Ibovespa no positivo, avançando 1,64%, aos 57.149 pontos. Em cinco dias agitados, principalmente por conta da temporada de resultados corporativos, foram 5 das 66 ações do Ibovespa fechando com alta de mais de 10%, enquanto 3 papéis terminaram este período com perdas superiores a 5%. Porém, um grupo de empresas importantes da Bolsa acabou ficando no “zero a zero”.
Ainda com ganhos um pouco maiores, a Petrobras (PETR3; PETR4) termina a semana com suas ações ordinárias subindo 1,75%, para R$ 14,50, enquanto as preferenciais avançaram 3,60%, a R$ 13,52. Além da estatal, o setor de mineração e siderurgia também acabou a semana de forma neutra, com Vale (VALE3, R$ 22,75, +0,44%; VALE5, R$ 18,51, +1,98%), CSN (CSNA3, R$ 8,09, +0,25%), Usiminas (USIM5, R$ 5,94, -0,50%) e Gerdau (GGBR4, R$ 10,34, +2,89%).
A situação de praticamente todos estes papéis foi a mesma: começaram a semana em alta, ameaçando dar continuidade ao rali visto em semanas anteriores, mas após duas valorizações, registraram três quedas consecutivas, anulando quase toda a alta das sessões de 4 e 5 de maio. Apesar do fraco noticiário e destas seguidas desvalorizações, os papéis da Vale ainda acumulam ganhos de mais de 20% nos últimos 30 pregões, enquanto a Petrobras disparou mais de 30% no mesmo período.
No caso de CSN e Gerdau, a semana contou com o balanço do primeiro trimestre destas empresas. A CSN apresentou um lucro líquido de R$ 392 milhões, contra R$ 55,3 milhões nos mesmos meses de 2014, alta de 609%. Já a receita líquida ficou em R$ 4,01 bilhões no período. Segundo a XP Investimentos, a empresa conseguiu entregar um bom crescimento na receita, mas a margem e segmento de mineração deixaram a desejar.
Outro ponto que chamou atenção foi a alavancagem da empresa. O indicador dívida líquida/Ebitda, que mensura em quantos anos a geração de caixa da empresa quitará sua dívida líquida, passou de 4 vezes para 4,8 vezes no primeiro trimestre. Os analistas da corretora continuam céticos com o papel, porém algumas questões como recompra de ações, especulações com relação à venda da participação da Usiminas e possibilidade de tag along podem suportar o nível atual das ações.
Já a Gerdau teve queda de 39,3% no lucro líquido do primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, a R$ 267 milhões, divulgou nesta quarta-feira. O Ebitda da companhia totalizou R$ 1,089 bilhão no mesmo período, recuo de 8,9% na mesma base de comparação. Segundo a empresa, a queda nas receitas deveu-se ao menor volume vendido, efeito que foi parcialmente compensado pela maior receita líquida por tonelada. O resultado financeiro líquido da siderúrgica nos três primeiros meses do ano ficou negativo em R$ 898 milhões, pressionado, sobretudo, pelo impacto da variação cambial no intervalo sobre a parcela da dívida que está denominada em moeda estrangeira, com efeito líquido negativo de R$ 651 milhões nessa linha.
Continua depois da publicidade
Maiores altas
Na ponta positiva do Ibovespa, além da Braskem (BRKM5), que liderou os ganhos com alta de 17,78%, a R$ 14,84. As companhias que conseguiram encerrar a semana com alta de mais de 10% foram todas elétricas: Cesp (CESP6, R$ 21,81, +14,79%), Eletrobras (ELET3, R$ 8,11, +11,10%; ELET6, R$ 9,86, +12,71%) e Cemig (CMIG4, R$ 15,62, +10,79%).
No caso da Braskem, praticamente todo o desempenho da semana foi impulsionado pelo pregão de hoje, com os papéis disparando 9,12%. A petroquímica mostrou queda de 49% do lucro líquido e receita líquida 14% menor no primeiro trimestre. Porém, segundo a própria empresa, os números foram suavizados pela desvalorização média de 12% do real frente ao dólar. Analistas do Bradesco e Itaú BBA comentaram que o resultado veio positivo. Um dos bons pontos ressaltados foi o reconhecimento da reconstituição de R$ 220 milhões do ajuste retroativo ao aditivo do contrato de fornecimento de nafta da Petrobras. Em teleconferência de resultados, o presidente da empresa, Carlos Fadigas, destacou hoje que a companhia pretende reduzir seus custos entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões neste ano. A economia pode alcançar até R$ 400 milhões até 2016.
Já no para as elétricas, o fator reajuste de preços foi preponderante para as altas – ajudando também a Eletropaulo (ELPL4, R$ 14,68, +35,30%), que subiu forte fora do índice -, mas no caso da Eletrobras e Cemig outros eventos também impulsionaram as ações. Notícias sobre o julgamento marcado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para 19 de maio sobre um possível voto abusivo da União na aprovação da renovação das concessões da Eletrobras em 2012 levaram a estatal a fortes ganhos na quarta-feira.
Continua depois da publicidade
Já para a Cemig o fator de alta foi a confirmação de que a companhia irá pagar menos dividendos do que o previsto inicialmente. A empresa esclareceu que, embora seu estatuto social estabeleça que 50% do lucro líquido do exercício será distribuído como dividendo obrigatório, a assembleia geral de acionistas ocorrida em 30 de abril aprovou a proposta do conselho de administração de que, do lucro líquido do exercício de 2014, no montante de R$ 3,136 bilhões, sejam destinados R$ 797 milhões para o pagamento de dividendos, ou seja, 25% do lucro.
Segundo a companhia, os valores que deixaram de ser distribuídos como dividendos obrigatórios, no montante de R$ 797 milhões, serão mantidos no patrimônio líquido, na conta de reserva de dividendos obrigatórios não distribuídos, para serem pagos “assim que a situação financeira da companhia o permitir”.
Maiores quedas
Por conta de uma queda de 22% nesta sexta, a Cia Hering (HGTX3) liderou com facilidade as perdas da semana após mais um balanço que deixou a desejar. A varejista teve lucro líquido de R$ 41,5 milhões entre janeiro e março, queda de 35,7% ante mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, o resultado foi afetado pela queda do resultado operacional e pelo aumento de 83,1% da despesa financeira líquida, a R$ 12,3 milhões, refletindo aumento dos juros.
Continua depois da publicidade
Sem trazer novos ares, o mercado voltou a penalizar a empresa hoje após o resultado do primeiro trimestre. O consenso dos analistas é de um resultado “fraquíssimo”. Não bastasse os números ruins, com as vendas para franqueados e lojas multimarcas caindo 14% e 16%, respectivamente, a expectativa da empresa também preocupa. A empresa disse que as vendas mais fracas para franqueados e multimarcas foi por conta do ambiente macro mais complicado e o foco da empresa é normalizar isso. O problema veio com a perspectiva da empresa de quando isso será normalizado: apenas a partir do quarto trimestre de 2015. As vendas de franqueados e multimarcas representam, atualmente, 86% da receita da companhia.
Confira as maiores quedas da semana:
| Ação | Preço | Queda na semana |
| Cia. Hering ON | R$ 14,51 | -17,13% |
| TIM Participações ON | R$ 9,03 | -6,42% |
| Telefônica Brasil ON | R$ 47,28 | -5,44% |
| Cosan ON | R$ 27,74 | -4,97% |
| Souza Cruz ON | R$ 26,36 | -4,15% |