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SÃO PAULO – As tensões políticas no Egito devem dominar a pauta do mercado nesta semana, segundo os analistas, com a aversão ao risco entre os investidores em alta.
De modo geral, a impressão dos analistas é que a crise no Egito aumenta a volatilidade do mercado e também a aversão ao risco entre os investidores. Na agenda de indicadores, dados sobre o mercado de trabalho nos EUA e sobre a atividade na China devem apresentar bons números aos investidores. Segundo Miriam Tavares, da AGK Corretora, “em geral, as notícias devem ser positivas e manter o otimismo em relação à recuperação da demanda global”.
Entretanto, o peso desses indicadores estaria reduzido. O economista Jason Vieira, da Cruzeiro do Sul Corretora, afirma que “as tensões [no Egito] devem elevar a volatilidade no mercado financeiro e reduzir parte do peso da forte agenda macroeconômica nesta semana”.
Por fim, para o mercado de renda variável, o desempenho desta semana poderá consideravelmente negativo. Segundo George Sanders, da Infinity, o foco dos investidores está no Egito, e os investidores estrangeiros batem em retirada. O analista comenta que, em função do ciclo de aperto monetário, a bolsa já estava fragilizada, e há “chance de vermos a bolsa escorregar até os 65 mil pontos”. Além disso, esta segunda-feira (31) marca também o início da temporada de resultados corporativos no Brasil.
Aversão ao risco
Os analistas avaliam que a crise política no Egito teria aumentado a aversão ao risco entre os investidores, tendência que já teria sido vista nos últimos dias e que deve continuar nesta semana. Para Miriam Tavares, “a instabilidade política, que contribuiu para a aversão ao risco na semana passada, deve continuar a marcar pelo menos as primeiras sessões desta semana”. Na mesma linha, Jason indica que “a inquietação no mundo árabe deixa os investidores apreensivos e um movimento de busca por ativos mais seguros já se mostra presente”.
A repercussão negativa da crise gera tensão em torno da cotação do petróleo e também temor pela possibilidade das tensões políticas espalharem-se pelos países da região. Para Miriam, o principal impacto é mesmo na commodity energética: “a instabilidade da região afeta principalmente as cotações de petróleo, pois embora o Egito não seja um produtor expressivo, o canal de Suez é um dos mais importantes entrepostos comerciais globais”.
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Já para a equipe de analistas do Banco Schahin, o foco pode sim retornar para os indicadores. “Nos mercados, caso não se verifique um agravamento dos problemas no Egito, o foco deverá retornar para os indicadores econômicos, que ultimamente tem apontado um viés mais positivo”, afirmam. Ademais, os analistas lembram também da crise fiscal na Europa. “Ainda sob a preocupação com os problemas financeiros da Zona do Euro, um novo foco de tensão, agora de caráter geopolítico, pode minar a confiança dos agentes no curto prazo”.
Mercados
A partir deste cenário, a tendência para os mercados é de volatilidade. No segmento de juros futuros, os consultores da LCA apontam que “os investidores permanecem céticos sobre os indícios iniciais de um cenário inflacionário um pouco mais benigno”. Na mesma linha, Miriam afirma que “o aumento nos prêmios de risco das taxas de juros de longo prazo deve seguir, de perto, a piora das expectativas de inflação no curto prazo”.
Para o câmbio, a analista aponta que a moeda norte-americana deverá seguir oscilando entre R$ 1,66 e R$ 1,69, conforme o cenário esteja mais ou menos favorável aos ativos brasileiros. Já os consultores da Rosenberg afirmam que o cenário de maior aversão ao risco pode fazer com que a cotação do dólar aproxime-se de R$ 1,70, além de também lembrar o desejo do Governo sobre esse tema: “o Banco Central está fazendo de tudo para o real não se valorizar”, afirmam.