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SÃO PAULO – O cenário externo conturbado deverá influenciar o desempenho do mercado de ações brasileiro ao longo dos próximos dias, com investidores preocupados com a crise fiscal na Zona do Euro e também com o processo de sucessão da diretoria geral do FMI (Fundo Monetário Internacional). A agenda de indicadores norte-americanos também deverá ficar em evidência, sobretudo pelas novas prévias da atividade da maior economia do mundo.
Desta forma, mesmo com um cenário interno mais favorável, contando com redução nas projeções para a inflação, a expectativa é que a influência negativa do exterior supere a melhora no ambiente doméstico e pese no desempenho da bolsa, podendo pressionar o Ibovespa a testar novos suportes nesses próximos dias.
“Não temos grande otimismo para o desempenho da bolsa nesta semana, com perspectiva de aumento da aversão ao risco atrelado aos acontecimentos externos”, afirma a equipe da Coinvalores. Já o gestor de renda variável da Infinity Asset, George Sanders, destaca que, embora o fluxo de investimentos estrangeiros continue no campo positivo em maio, sobretudo pela melhora das perspectivas sobre a inflação no Brasil, “o cenário externo traz incertezas suficientes para manter os investidores na defensiva”.
PIB dos EUA é destaque da agenda
Na agenda doméstica desta semana, os consultores da LCA destacam os diversos números de atividade, mas citam como principal indicador a ser publicado nos próximos dias a PME (Pesquisa Mensal de Emprego), que será divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na próxima quarta-feira (25), com expectativa de lento desaquecimento do mercado de trabalho.
No exterior, destaque para a agenda norte-americana, que traz nesta semana uma nova revisão do PIB (Produto Interno Bruto) nos três primeiros meses deste ano. Ademais, os consultores da LCA também apontam os indicadores de atividade, números sobre crescimento dos gastos e da renda pessoal.
“Em suma, os indicadores da economia norte-americana não deverão mudar a crescente percepção de que a recuperação da economia [dos EUA] perdeu um pouco de tração”, afirmam os consultores da LCA.
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Preocupações
Segundo o economista Julio Hegedus, do InterBolsa Brasil, os “mercados começam a semana preocupados com a zona do euro, depois do rebaixamento da perspectiva do rating soberano da Itália, de estável para negativo”. Outro país europeu que também segue na pauta dos investidores é a Grécia, país que, segundo os consultores da Rosenberg, “vai dar muita dor de cabeça para a Europa, pois não consegue fazer os ajustes necessários”.
Outro fator que chama a atenção da consultoria é a necessidade de crédito de diversas empresas brasileiras. Essa seria ainda uma “boa razão para uma política monetária contracionista optar por um aumento de juros e não por restrição de crédito”, apontam os consultores.
Suporte em 62 mil pontos?
Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, cita outros analistas do mercado e destaca a percepção de que o índice Ibovespa “chegou em um ponto de suporte, quando se abrem boas chances de entrada”.
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Entretanto, como contraponto a esse cenário mais positivo, aparece o ambiente externo. Assim, Tavares afirma que continua “importante monitorar o patamar de 62 mil pontos”.