Semana deve ser marcada por atenção dos mercados aos indicadores

Destaque da agenda para o relatório de mercado de trabalho nos EUA; volatilidade também deve voltar com força

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SÃO PAULO – Com agenda carregada e foco na situação fiscal da Europa, a semana promete ser volátil, com os principais índices reagindo pontualmente à cada notícia. Na programação, destaque para o relatório do mercado de trabalho nos Estados Unidos na sexta-feira (2).

Para a diretora de câmbio da AGK, Miriam Tavares, mesmo com o ambiente está menos avesso ao risco, a cautela não deve descolar dos investidores, com a crise nas contas públicas na Europa em voga e a possibilidade de algum problema financeiro relacionado a ela surgir nos próximos dias.

“Neste final de semana, ao mesmo tempo em que houve o comprometimento das economias avançadas em cortar pela metade os déficits fiscais até 2013 e estabilizar a relação dívida/PIB [Produto Interno Bruto] até 2016, os membros do G-20 também entraram em acordo sobre realizar medidas coordenadas para sustentar a recuperação das economias”, conta Miriam.

Ficará a critério de cada país os tipos e o alcance das medidas, a serem tomadas de acordo com cada necessidade. “As leituras iniciais sobre o G-20, portanto, abrem de forma positiva esta semana de agenda intensa, com dados importantes sobre a economia mundial em pleno fechamento de semestre”, avalia Miriam.

EUA
Contudo, a agenda de indicadores norte-americanos pode tensionar os mercados nesses dias, já que importantes dados serão divulgados, especialmente na sexta-feira, com o relatório de mercado de trabalho – o ponto fraco da recuperação dos EUA.

“A expectativa-consenso é que o payroll [contratações] se mostre queda de mais de 100 mil postos de trabalho em junho, excluindo a agropecuária. A projeção para o payroll do setor privado, porém, é de alta, com a contratação de 113 mil empregados”, comenta a equipe de research do Wells Fargo.

Além disso, os analistas esperam ainda que a taxa de desemprego permaneça em 9,7%, mesmo com a perda líquida de postos de trabalho. O time de análise acredita que nos próximos meses a taxa deve ficar estável ou ter apenas um leve crescimento.

“Os pedidos de auxílio-desemprego continuam teimosamente altos. Ao contrário, as horas trabalhadas e os ganhos de renda adicionais estão progredindo, sugerindo que o mercado de trabalho está mais saudável que as contratações indicam”, fala a equipe Wells Fargo.

Indústria
Ainda nos EUA, os analistas do Danske Bank avaliam o ISM Manufactoring Index, que mede a atividade industrial, como outro indicador importante desta semana. A expectativa é que na quinta-feira (1) o índice permaneça em 59,7 pontos.

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“A despeito dos vetores fracos, os detalhes de PMIs regionais [índice de gerentes de compras] vieram surpreendentemente fortes, indicando que o ISM permanecerá com nível alto por outro mês. Até mesmo para os próximos meses esperamos um declínio moderado do ISM, com o crescimento momentaneamente mais lento”, explicam.

Volatilidade
Assim, as notícias e indicadores devem influenciar os mercados individualmente, aumentando a volatilidade e a indefinição.

“De um modo geral, o cenário externo de curto prazo mostra que a cautela deve seguir à espreita e o apetite à ativos de risco deve continuar oscilando bastante de acordo com as perspectivas para a economia, o que equivale a dizer que a volatilidade também continuará presente ainda por algum tempo”, fala Miriam Tavares, AGK.

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Além disso, esta é a última semana do mês de junho e do semestre, o que geralmente já traz um ajuste de posições nas bolsas de valores, o que deve contribuir para intensificar a volatilidade.

“Devemos ter vários ajustes de carteira, puxadas e derrubadas de acordo com interesses. Acredito que a bolsa do Brasil siga num ritmo melhor, como tem sido até agora, em relação a outros mercados. Apostas em resultados corporativos bem positivos e um ajuste menor que o esperado na taxa Selic parecem estar seduzindo o investidor estrangeiro de volta”, comenta George Sanders, gestor de renda-variável da Infinity Asset.

Agenda
No Brasil, a programação semanal traz dados de inflação no segundo trimestre, na semana e no mês e resultado da atividade industrial de maio. Para Miriam Tavares, a expectativa é que a inflação continue em alta, enquanto a indústria deve mostrar alta da margem, após a ligeira correção vista em abril.

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Confira a programação da semana: 

> Terça-feira (29/6)

 – Brasil

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8h00 – IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) – junho (FGV – Fundação Getulio Vargas).

 – EUA

10h00 – S&P/Case-Shiller Home Price de abril (Standard & Poor’s);

11h00 – Consumer Confidence – junho.

> Quarta-feira (30/6)

 – Brasil

8h00 – Sondagem Industrial – junho (FGV);

8h30 – Relatório Trimestral de Inflação (Banco Central);

10h30 – Nota de Política Fiscal de maio (Banco Central).

 – EUA

09h15 – ADP Employment referente ao mês de junho;

10h45 – SChicago PMI referente ao mês de junho;

13h30 – Estoques de Petróleo  – semanal (EIA – Energy Information Administration).

> Quinta-feira (1/7)

 – Brasil

8h00 – IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) referente à quarta quadrissemana de junho (FGV);

9h30 – Pesquisa Industrial Mensal de maio (IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística);

11h00 – Balança Comercial referente ao mês de junho (Ministério de Comércio Exterior).

 – EUA

09h30 – Pedidos de auxílio-desemprego (Initial Claims), em base semanal.

11h00 – Construction Spending de maio (Departamento de Comércio);

11h00 – ISM Index referente ao mês de junho;

11h00 – Pending Home Sales de maio.

> Sexta-feira (2/7)

 – Brasil

7h00 – IPC referente ao mês de junho (Fipe – Fundação Instituto de Pesquisa Econômica)

 – EUA

09h30 – Employment Report do mês de junho, composto por: taxa de desemprego, número de postos de trabalho, ganho por hora trabalhada e média de horas trabalhadas;

11h00 – Factory Orders referente ao mês de maio.