Semana começa incerta com reuniões de Fomc e Copom e comentários da Moody’s

Para analistas, agenda carregada e incertezas quanto a juros ditam rumo de volatilidade nesta semana no Brasil e no exterior

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SÃO PAULO – A semana começa com três assuntos principais na pauta: Copom (Comitê de Política Monetária) no Brasil, Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto dos EUA) e Grécia.

“Nesta semana, os investidores vão avaliar com atenção e repercutir o comunicado que será divulgado na próxima terça-feira, após a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto dos EUA (Fomc), que segundo o consenso será a de manutenção da taxa no patamar de [0% a] 0,25%, em busca de qualquer pista sobre a trajetória futura da política monetária”, comenta a diretora de câmbio da AGK Corretora de Câmbio, Míriam Tavares, sobre a aguardada decisão do BC norte-americano.

A economista fala ainda que se o comunicado mostrar que a economia segue em recuperação gradual, mas que ainda é um processo que exige cautela, necessitando, portanto, de juros baixos por um período prolongado, o viés positivo dos mercados deve ser mantido.

“Principalmente se os números da produção industrial e início de novas obras residenciais também vierem melhores que o esperado e o relatório parcial governo grego sobre a implementação de medidas para conter o déficit fiscal for bem recebido”, fala.

Mas…
Contudo, se os membros do Fed evidenciarem que a economia norte-americana pode estar caminhando ainda lentamente e precisando de mais tempo de juros baixos, a repercussão também pode ser negativa.

“Se o comunicado surpreender de alguma forma, os mercados poderão voltar a ficar mais cautelosos. Especialmente se os indicadores decepcionarem ou o relatório da Grécia, que será apresentado na terça-feira, fizer com que os players retomem as preocupações com a delicada situação fiscal europeia”, comenta a economista.

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Ao mesmo tempo, outro comitê de política monetária se reúne esta semana – o brasileiro. Por aqui, as apostas estão divididas em torno da manutenção da Selic em 8,75% e o início do ciclo de aperto monetário.

Bovespa e mercados internacionais
Para o analista Silvio Campos Neto, economista do Banco Schahin, os mercados internacionais começam esta semana com sinais de cautela, diante de alertas vindos da China e do relatório da Moody´s sobre ratings das principais economias do mundo.

“Na última semana, predominou um ambiente moderadamente positivo entre os investidores, o que permitiu a redução da aversão a risco e ganhos nas bolsas”, afirma.

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Porém, o analista pondera que notícias como a reunião anual do Congresso Nacional do Povo na China, com o pronunciamento do primeiro ministro do país Wen Jiabao, contribuem para a volatilidade.

“O premiê alertou que existem incertezas na economia global, que podem provocar o retrocesso na recuperação e até levar a um ‘duplo mergulho’, ressaltando que seu país não está imune a essas ameaças”, conta.

Ao mesmo tempo, nesta segunda-feira também foi divulgado um relatório sobre ratings da agência de classificação de risco Moody’s, falando que as notas AAA dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França estão seguras, mas com riscos crescentes.

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“A agência cita um delicado equilíbrio entre a necessidade de apertar a política fiscal para controlar o endividamento, e o baixo crescimento econômico, que piora a receita tributária”, explica Campos Neto.

Para ele, esses dois eventos reforçam que a melhora observada recentemente ainda é frágil, e que notícias preocupantes ainda continuarão se alternando com indícios positivos, a exemplo de indicadores que veem favoráveis.

“Os mercados estão altamente voláteis e ora exageram para um lado, ora para o outro, refletindo um cenário macroeconômico que no curto e médio prazos ainda é permeado por indicadores contraditórios e alguns importantes desafios. As contas públicas e a política monetária das economias centrais estão aí para serem equacionadas”, reforça Míriam Tavares, da corretora de câmbio AGK.

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Agenda
No âmbito internacional, os Estados Unidos chamam as atenções com uma agenda lotada de indicadores, a começar pela produção industrial de fevereiro.

Será conhecido também a taxa de juros norte-americana pelo Fomc – um dos eventos mais aguardados da semana. Além disso, há dados de novas construções e permissões para construção de imóveis residenciais, PPI (índice de preços ao produtor), CPI (índice de preços ao consumidor), os três de fevereiro.

“O senador Dodd deve apresentar na segunda-feira [15] o projeto de lei de reforma do setor financeiro, o que permitirá ao Comitê Bancário do Senado a votar a proposta antes do recesso da Páscoa, no início de abril”, lembra Míriam Tavares, da AGK

“Ele tem esperança de que as negociações com um republicano do comitê, o senador Bob Corker, sejam bem sucedidas de forma que eles sejam capazes de levar uma proposta bipartidária ao plenário, segundo uma porta-voz do líder democrata”, completa.

Europa
Na Europa, teremos o CPI referente a fevereiro, balança comercial e o balanço da conta corrente na Zona do Euro.

Além disso, serão conhecidos a pesquisa ZEW de sentimento econômico da Alemanha, a taxa de desemprego e o endividamento do setor público na Inglaterra, assim como a ata da última reunião do BoE (Bank of England) que decidiu manter inalterada a taxa básica de juros do país em 0,5% ao ano.

“Na terça-feira, sob pressão da União Europeia e dos mercados financeiros, a Grécia deve mostrar que está no rumo certo para reduzir seu déficit orçamentário para 8,7% do PIB este ano, de um déficit estimado em 12,7% em 2009. Recentes pesquisas mostram que a população grega está dividida sobre o plano de austeridade, com os sindicatos convocando protestos contra os cortes nos salários e benefícios com objetivo de reduzir o inchado déficit orçamentário”, lembra Míriam Tavares.

Brasil
No Brasil, as atenções da semana estarão concentradas na reunião do Copom, marcada para os dias 16 e 17, com o mercado especulando se teremos aumento ou não na taxa Selic que se encontra atualmente em 8,75% ao ano.

“Embora a conjuntura atual e a própria ata da reunião passada não transmitam a necessidade de urgência do aumento dos juros, os indicadores recentes confirmam o bom aquecimento da demanda, enquanto as expectativas de inflação seguem em elevação. Deste modo, mesmo que não suba neste momento, a Selic deverá ser ajustada já a partir de abril”, analisa Silvio Campos Neto, do Banco Schahin.

Além disso, estão programados aqui para o Brasil, os dados de inflação, com o IPC-Fipe (17/03) e IGP-10 (18/03), assim como a arrecadação federal de impostos, a ser divulgada no dia 18 pela SRF (Secretaria da Receita Federal).