Sem tempo para acabar, QE3 é mais inteligente e eficaz que os anteriores?

Intenção é que esse programa possa animar os mercados imobiliários e de trabalho do país, as principais preocupações da autoridade monetária

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SÃO PAULO – A decisão do Federal Reserve por um novo Quantative Easing impressionou os mercados: desta vez, compras de US$ 40 bilhões em títulos hipotecários por mês, que devem ser intensificadas se não houver melhoras no mercado de trabalho. “O grande evento do dia não poderia ter um resultado mais positivo para os mercados, o Fed não só entregou o QE3 como mostrou a versão ‘turbo’ desta ferramenta”, avalia Daniel Cunha, da equipe de análise da XP Investimentos.

“O lançamento de hoje foi mais inteligente e potencialmente mais eficaz já que, desta vez, não ficou explicitado nem um volume e nem um prazo para o programa”, afirmou Cunha. A intenção é que esse programa possa animar os mercados imobiliários e de trabalho do país, as principais preocupações da autoridade monetária. Além disso, o Fed deixou bem claro que deve intensificar o programa se não houver avanços.

“O Fed inovou e surpreendeu no campo das políticas monetárias não-convencionais e, consequentemente, foi muito bem recebido pelos mercados de risco”, afirma. A bolsa, por exemplo, foi bastante impulsionada pelo anuncio: operando em alta de 0,38% antes do resultado da reunião, e depois chegou a subir mais de 3,5%. 

Houveram outros motivos para otimismo: o Fed se comprometeu em manter políticas acomodatícias por um período considerável de tempo, estendeu o Operation Twist – que consiste na venda de títulos de dívida de curto prazo e compra de similares de longo prazo – e explicitou que não elevará taxa de juros até 2015.

Mas é bom ter cautela
Mesmo assim, é bom ter cautela. “Em um mundo com Europa e China do jeito que estão, acho difícil acreditarmos numa retomada mais pronunciada das atividades norte-americanas”, afirma Cunha, destacando que elas deverão permanecer em um ritmo saudável de crescimento, mas não o suficiente.

“Não teremos uma melhora substancial da economia para corrigir de maneira rápida as distorções geradas pelo crash de 2008”, finaliza Cunha. O próprio Bernanke ressaltou que a política monetária não é a única solução: é importante que outras autoridades competentes do país também busquem reduzir os impactos fiscais na economia.