Sem surpresas, Copom eleva Selic em 75 pontos-base, para 10,25% ao ano

Nota cita "processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia"; decisão é unanimidade e sem viés

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SÃO PAULO – Em uma decisão que já era amplamente esperada pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) manteve o ritmo no ciclo de aperto monetário que está em curso desde sua reunião passada, ao elevar a Selic em 75 pontos-base nesta quarta-feira (9), para 10,25% ao ano. Em abril, quando deu início à elevação da taxa de juros brasileira, o comitê também decidiu por uma alta da mesma magnitude. 

A decisão, tomada por unanimidade e sem viés, corresponde à mediana das estimativas do agentes de mercado compiladas pelo Relatório Focus e também às projeções dos analistas consultados pela InfoMoney. 

O comunicado
“Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 10,25% a.a., sem viés”, declarou a nota que acompanha a decisão da autoridade monetária.  

Na leitura da LCA Consultores, a nota oficial tem redação “lacônica, idêntica à do comunicado da reunião anterior”.

Análise da decisão
A consultoria avalia que a maior volatilidade externa observada desde a reunião anterior, em conjunto com sinais tranquilizadores de moderação do crescimento e de desaceleração da inflação, corrente e projetada, levaram o Copoml a “desarmar uma intensificação no ritmo de elevação da Selic”.

A LCA entende que um agravamento da crise fiscal europeia poderia levar o Banco Central a abreviar ou mesmo a interromper (ainda que temporariamente) o processo de aperto monetário, possibilidade esta tida com uma reduzida probabilidade de 20% e contemplada no cenário alternativo adverso da consultoria.

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Este cenário de redução no ritmo de alta da Selic por conta do recrudescimento da crise fiscal na Europa, que foi pouco cogitado pelo mercado, poderia, ao ver da LCA, ser visto como “sinal de que o Banco Central estaria inseguro quanto aos potenciais impactos da crise europeia”.

Na contrapartida, uma eventual intensificação no ritmo de aperto monetário poderia ser interpretada como sinalização de que a autoridade monetária estaria subestimando os potenciais impactos adversos da crise, “correndo o risco de exagerar na dose do remédio amargo”, adiciona a consultoria.

Repercussão
Para o presidente do Secif (Sindicato das Financeiras do Estado do Rio de Janeiro), José Arthur Assunção, acredita que a alta foi “demasiada”, já que o PIB faz referência ao trimestre anterior e a economia brasileira já não cresce mais a esse ritmo. Além disso, Assunção lembrou que as expectativas da inflação também já estão em queda.

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Na mesma linha, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) também criticou a decisão. “(…) os primeiros meses de 2010 trouxeram alguma pressão inflacionária apenas em razão de ajustes pontuais e sazonais (…). Diante dessa constatação, todos nós sabemos que após esse conhecido período de naturais ajustes, os preços voltam à normalidade”. A federação enxerga que os preços se comportam sem altas significativas mesmo antes do primeiro aumento da Selic ter ocasionado efeito na atividade produtiva.

“Diante desse cenário, a Fiesp continua, responsavelmente, argumentando que o ciclo de aumentos na taxa básica de juros contraria a lógica dos números da economia brasileira”, completa a nota oficial da entidade.

Próximos passos
Levando em consideração os sinais emitidos pelo Copom, a LCA Consultores acredita que os próximos passos da política monetária “parecem em boa medida condicionados aos desenvolvimentos externos”.

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“Como entendemos que os riscos de um contágio da crise europeia seguem limitados, avaliamos que o Banco Central deverá promover dois aumentos adicionais de 75 pontos-base – levando a Selic a 11,75% ao ano até a reunião de 1º de setembro, ação que parece suficiente para trazer a inflação de volta ao centro da meta no horizonte de atuação da política monetária.”