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SÃO PAULO – A decisão de seis bancos centrais, entre eles o Federal Reserve, o BCE (Banco Central Europeu) e o BoE (Bank of England), de promover um corte coordenado em suas respectivas taxas básicas de juro, não atinge diretamente o principal problema atual: a disfunção dos mercados de capitais.
O que a medida oferece, na verdade, é um tempo adicional às autoridades monetárias, para que elas possam decidir o próximo passo – que, na opinião da Merrill Lynch, seria a recapitalização dos bancos ou a oferta de garantias sobre dívidas de financiamento.
Porém, um dos efeitos colaterais da ação coordenada dos BCs atinge indiretamente os governos dos países periféricos. Para os analistas, a ação tem implicações significativas no câmbio de mercados emergentes. “De maneira geral, o mercado agora está forçando os bancos centrais desses países a liberarem suas reservas”, afirmam.
E não é de se esperar que os mercados desenvolvidos intervenham nas políticas de câmbio, principalmente porque o fortalecimento do dólar e a queda dos yields dos títulos de dívida pública têm ajudado as autoridades monetárias. Segundo a Merrill Lynch, uma reversão da dinâmica atual de aversão ao risco e apreciação do dólar seria prejudicial ao Fed e ao Tesouro dos EUA, especialmente frente à enorme flexibilização monetária e fiscal que promoveram.
Brasil
A forma de lidar com os reflexos da crise – assim como com os impactos das medidas adotadas por outros países – diverge entre os governos dos mercados emergentes, levando em consideração que cada um deles tem um cenário diferente.
Para o Brasil especificamente, a previsão dos analistas é de que o Banco Central continue ativo no mercado à vista, já que o real tem registrado uma performance muito negativa. Até agora, a autoridade monetária esteve empenhada em resolver os problemas de liquidez para bancos pequenos e médios, bem como para exportadores. No campo do câmbio, as ações passaram por leilões de linhas de crédito em dólar e de swap cambial.
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“Como a taxa de câmbio cruzou o patamar de R$ 2,50 no dia 8 de outubro, o BC decidiu vender dólares no mercado à vista”, lembram os analistas. Para eles, a performance negativa do real se deve a questões técnicas, como as opções compradas por empresas. “Quando a moeda passa por patamares-chave, elas precisam comprar dólares para cobrir suas perdas”.
Demais emergentes
A Merrill Lynch também lista suas previsões para os principais países e regiões em desenvolvimento. A Rússia, por exemplo, deve manter um alto nível de intervenção do governo no mercado de câmbio. Com reservas em torno de US$ 560 bilhões, as autoridades do país se encontram em posição privilegiada para promover uma defesa agressiva do rublo.
Na China, a redução do risco inflacionário e o aumento dos riscos de desaceleração do crescimento da economia levaram as autoridades monetárias a optar por medidas que apoiassem a demanda, o que significa flexibilização da taxa básica de juro e cortes no compulsório para liberar liquidez. Além disso, o governo manteve o yuan estável frente ao dólar, mesmo diante do contexto atual.
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Por fim, a Índia e a Coréia, que enfrentam pressão inflacionária e déficits em suas contas correntes, continuam dependentes do influxo de capital. No caso do câmbio, mesmo com a venda de dólares, os governos dos países não têm sido capazes de evitar a apreciação da moeda norte-americana.