Sem gerar caixa operacional, entenda como a OGX realiza sua gestão financeira

Gestão do fluxo de caixa e remuneração de ativos "parados" é ponto crucial para o sucesso da petrolífera de Eike Batista

SÃO PAULO – Por ainda não gerar caixa através de suas operações, a condução financeira da OGX Petróleo (OGXP3) e de qualquer outra empresa em situação pré-operacional merece sempre atenção especial.

Falando em termos genéricos, em muitos casos uma empresa tem início em um plano de negócios capitalizado inicialmente por seus sócios. A partir daí, ela detém uma gama de opções como forma de angariar fundos para desenvolver seu projeto operacional, como a emissão de ações, privada ou pública, além de uma gama imensa de produtos bancários para alavancagem.

Primeiro passo
No caso da OGX, a empresa contou inicialmente com o aporte financeiro de seu principal sócio, o megaempresário Eike Batista, além de captar recursos através de uma emissão privada de ações. Ao todo, a companhia conseguiu acumular US$ 1,3 bilhão para dar seu ponta pé inicial.

O montante foi destinado à contratação de pessoal, boa parte conquistada à um alto custo da Petrobras (PETR3PETR4), e, principalmente à aquisição de áreas de exploração na Nona Rodada de Licitação da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), onde a OGX adquiriu o direito de concessão de 21 blocos exploratórios nas bacias de Santos, Campos, Espírito Santo e Pará-Maranhão, totalizando cerca de 6,4 mil km².

Com as áreas em mãos, a OGX contratou a consultoria DeGolyer & MacNaughton para avaliar o potencial dos recursos sob sua responsabilidade, que totalizaram 4,835 bilhões de boe. O volume vultoso observado evidenciou a necessidade de uma nova rodada de captação de recursos no mercado, visando a contratação de equipamentos para realizar os estudos adicionais e finalmente iniciar o processo de exploração.

Maior IPO da história
Em julho de 2008, a OGX causou grande impacto na bolsa brasileira, ao realizar o maior IPO (Initial Public Ofering) já registrado na BM&F Bovespa, captando recursos da ordem de R$ 6,7 bilhões, dos quais 100% seriam destinados à campanha de exploração e desenvolvimento de descobertas.

Dessa forma, investidores, acionistas e credores devem ficar atentos à forma com que a empresa pré-operacional gerencia seu caixa, principalmente ao risco que os gestores costumam expor os ativos “parados” em busca de rentabilidade.

Gestão de recursos
Tão importante quanto a captação, a gestão dos recursos em caixa é outro ponto crucial para se considerar em uma empresa pré-operacional. Como ela ainda não obtém receita com suas operações e tem a necessidade constante de investir em infraestrutura, a gestão dos recursos captados deve garantir o fluxo de caixa exigido em um momento como esse.

No caso da OGX, o rendimento das aplicações financeiras no terceiro trimestre de 2011 foi de R$ 138,8 milhões devido à aplicação dos recursos em caixa em títulos de renda fixa de instituições financeiras e do tesouro via um fundo exclusivo.

PUBLICIDADE