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SÃO PAULO – Não é de hoje que a Cetip (CTIP3) ocupa uma posição de destaque no segmento em que atua: tendo mais do que duplicado seu valor de mercado desde que abriu o capital na Bovespa em 2009, a empresa – que se denomina a maior registradora, depositária e plataforma eletrônica para ativos de renda fixa e derivativos de balcão na América Latina – quer aproveitar os gargalos existentes no mercado brasileiro para crescer ainda mais.
Diante disso, o diretor financeiro da Cetip, André Veiga Milanez, descarta a possibilidade da empresa ingressar no mercado de renda variável no curto prazo. “O mercado brasileiro ainda não é maduro e não vejo nenhum valor agregado em oferecer um produto ‘mais do mesmo'”, disse Milanez durante evento realizado com a Corretora Souza Barros nesta quarta-feira (19). “Para nós, há muitos outros gargalos no mercado mais relevante para tratar do que replicar um modelo que já existe”, reforça o diretor.
O questionamento sobre o ingresso no mundo das ações veio principalmente após as notícias que correram no começo dessa semana de que a operadora norte-americana Bats Global Markets desistiu dos planos de lançar uma bolsa no Brasil. Após dois anos de estudos, a conclusão seria que o custo do empreendimento é muito elevado. Milanez, contudo, diz que essa matéria pouco surpreendeu a Cetip.
“A questão da Bats/Claritas não é simples. A regulação do mercado brasileiro de ações é mais rígida do que aquela lá fora, o que dificultaria algumas coisas por aqui”, explicou o diretor. Ele mencionou ainda que muito se disse no mercado sobre as “verdadeiras intenções” da Bats em atuar no Brasil, já que, segundo o diretor, a norte-americana está em processo de abertura de capital no exterior, e demonstrar interesse em atuar aqui no Brasil poderia ser benéfico para o resultado da oferta.
Maior valor para a empresa e para o acionista
O diretor financeiro faz ainda um paralelo com o mercado imobiliário – onde a Cetip tem concentrado seus esforços – para justificar que há mais espaço para crescer nesses segmentos do que na renda variável. “Hoje em dia é muito difícil imaginar um mercado pouco automatizado como o mercado de gravames. Antes isso tudo era manual. Se você perguntar pra qualquer instituição financeira que trabalha nesse mercado, elas diriam que era inconcebível viverem trabalhando manualmente”, disse.
Por conta da crescente demanda desse segmento, haverá a necessidade de desenvolver soluções de infraestrutura em tecnologia. É nesse nicho que Milanez enxerga espaço para criar valor tanto para a empresa quanto para o acionista, e não na renda variável. Então, se estivéssemos em um momento para oferecer algo ‘mais do mesmo’ com um diferencial de qualidade, então tudo bem, mas ainda há um gap enorme de questões de infraestrutura para serem resolvidas”, conclui o diretor da Cetip.
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Renda fixa: no “DNA” da Cetip
Finalizando, o diretor também falou sobre a concorrência no mercado de renda fixa, segmento onde a empresa é líder em participação de mercado – chegando a deter praticamente 100% do market share em certos segmentos, como o de debêntures e transferência de recursos. Para o diretor, a concorrência sempre existiu, mas a Cetip conseguiu deter o monopólio pela qualidade do serviço oferecido. “A renda fixa está no DNA da Cetip. Talvez seja por isso que conseguimos tanto êxito e sucesso na manutenção dessa posição de liderança no mercado brasileiro”.