Publicidade
SÃO PAULO – O Ibovespa enveredou para quedas mais acentuadas no começo da tarde desta segunda-feira (20), dia com a agenda marcada pela divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) chinês, que decepcionou o mercado com um crescimento de 7,7% nos últimos três meses do ano, apesar de ter ficado acima do esperado pelo mercado. Às 14h40 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira marcava perdas de 0,37%, a 48.998 pontos, puxada pela “azedada” das blue chips, com destaque para as ações da Vale (VALE3; R$ 32,12, -1,14%; VALE5, R$ 29,69, -1,10%) – com seu modelo de negócio fortemente atrelado ao desempenho econômico chinês – e Petrobras (PETR3, R$ 14,47, -0,96%; PETR4, R$ 15,35, -1,03%).
Para Flávio Conde, analista da Gradual Investimentos, o índice segue o mesmo movimento da maioria dos pregões de 2014: “abre positivo, fica neste campo por uma ou duas horas, depois começa a devolver”, ressaltando a pressão com a abertura das bolsas em Wall Street apesar de, nesta sessão, os mercados por lá estarem fechados por conta do feriado. Conde ainda transmite a “culpa” ao PIB chinês para mais um pregão ruim na bolsa brasileira, alegando um certo “exagero” que haja pessimismo com um crescimento de 7,7% da segunda maior economia do mundo.
“Existe um consenso de que as ações estão em um preço atrativo, mas tem muita gente apostando contra”, em meio a dados negativos da economia nacional, além da possibilidade de um eventual corte do rating soberano do País e a iminente fuga de investimentos estrangeiros, explica o analista da Gradual, apontando também para indícios que compravam tal observação: o dólar e os juros estão caindo hoje, o que costuma ser um sinal de bolsa em alta, mas esse cenário faz com que o esperado não se configure na realidade.
Destaques do dia
Do lado macroeconômico do dia, chamam atenção as projeções para a economia brasileira, com a divulgação do tradicional relatório Focus, que apontou para a leve expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, que passou de 1,99% para 2%. Com relação à Selic, após a decisão da semana passada do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevá-la em 0,5 ponto percentual, para 10,5%, os economistas elevaram a projeção para a taxa básica de juro ao final do ano de 10,5% para 10,75%. Já para 2015, a expectativa é de que ela feche o ano em 11,5%, mesmo patamar projetado na semana anterior.
Em relação à inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2014, os economistas elevaram levemente a expectativa para 2014 em 0,01 ponto percentual, para 6,01% ante 6%. Em 2015, a expectativa para a inflação subiu em 0,1 ponto percentual, passando de 5,50% para 5,60%.
Já no noticiário econômico mundial, os olhos se voltam para a China, que cresceu 7,7% nos últimos três meses de 2013, mais alto do que o mercado esperava, porém abaixo do crescimento do ano anterior, que foi de 7,8%, registrando o menor ritmo em 14 anos. Vale ressaltar que os dados chineses devem ser o grande vetor para esta sessão, uma vez que as bolsas norte-americanas ficarão fechadas em decorrência do dia de Martin Luther King.
Continua depois da publicidade
Em destaque no cenário corporativo, está a Gafisa (GFSA3, R$ 3,58, +2,87%), liderando os ganhos do índice impulsionado pelos dados da prévia operacional do quarto trimestre de 2013. A companhia divulgou lançamentos da ordem de R$ 1,6 bilhão no quarto trimestre, alta anual de 8,7%, e encerrou o ano com um total lançado de R$ 2,9 bilhões.
Por outro lado, as ações da Energias do Brasil (ENBR3, R$ 9,99, -3,57%) são o maior destaque de queda do índice nesta sessão, com perdas de 2,41%, a R$ 10,11. Diminuindo os ganhos do índice, estão ainda as ações da Usiminas (USIM5, R$ 13,71, -1,65%) e da Vale. Os papéis da mineradora são afetados, além dos dados da China, pelo vencimento de opções.
Europa e Ásia
As bolsas chinesas abriram a semana com queda absorvendo os dados divulgados nessa segunda-feira. O índice Shangai Composto fechou o primeiro pregão da semana registrando queda de 0,68% e o Hang Sheng com perdas de 0,88%.
Continua depois da publicidade
Ainda na China, apesar da forte queda dos índices chineses, ações do setor imobiliário tiveram alta após dados divulgados mostrarem que as vendas totais de propriedade subiram 26,3%, para 8,1 milhões de yuans em 2013. Enquanto isso, no Japão, o Nikkei, principal índice do país, fechou o dia em queda de 0,59% à 15.641,68 pontos, pressionado por mais uma desvalorização do dólar frente ao iene.
Já na Europa, as bolsas abriram em queda repercutindo os dados divulgados pela China mostrando que o crescimento do gigante ásiatico continua registrando desaceleração.
Outro dado que chama atenção do mercado foi o prejuízo do Deutsche Bank divulgado nessa segunda-feira. O banco alemão reportou perdas de US$ 1,56 bilhões no quarto trimestre de 2013. Com isso, as ações do banco caem 4,2% no pregão que abre a semana. O DAX, principal índice da Alemanha, registrava perdas de 0,38%.
Continua depois da publicidade
Os dados do Deutsche Bank afetam o setor bancário como um geral na Europa. O FTSE tem um pregão quase estável, mas é pressionado pela baixa de mais de 1% das ações do setor no primeiro pregão da semana.