Perspectivas

Sem enxergar rali em 2013, Empiricus projeta Ibovespa em 66.000 pontos

Analistas indicam uma retomada dos lucros no próximo ano, mas para isso investidores terão que pagar mais caro

SÃO PAULO – O próximo ano inicia com o tom mais otimista do mercado, mas ainda não marca o melhor dos mundos para a bolsa brasileira. Os ativos mostrarão uma retomada dos lucros, porém o desafio será encontrar um papel barato e interessante, apontaram os analistas Rodolfo Amstalden e Roberto Altenhofen, da casa de research Empiricus, em webcast realizado na última segunda-feira (17).

“Vemos uma retomada do crescimento dos lucros no próximo ano, mas não vemos bolsas baratas no mundo e com expansão”, disse Amstalden. Eles preveem o Ibovespa aos 66.000 pontos em 2013 – o que representaria um potencial de alta de 10,8% em relação ao fechamento anterior. “Não será um ano de rali para a bolsa paulista, mas não será um ano ruim”, indicam.

A bolsa, contudo, não está barata: Bovespa trabalha com um múltiplos de 19 vezes, contra 14 vezes do S&P 500 e 28 vezes da China. O que reforça a visão dos analistas: boas oportunidades virão dos ativos mais “caros”. 

Economia brasileira trará influência positiva para mercado
A expectativa é que a economia brasileira traga uma influência positiva para o mercado, mesmo com as intervenções do governo nos bancos, elétricas e telecomunicações. “Dilma começou a governar em 2012. Estamos de acordo com os objetivos do governo, mas os meios para conquistá-los é que geraram preocupações”, disseram.

“O intervencionismo ainda atrapalha, mas o investidor estrangeiro vai se acostumar”, acrescentam. Mesmo que o governo continue interferindo na economia, eles acreditam que o próximo ano vai caminhar para um “intervencionismo sadio”, com menos canetadas.

Além disso, os analista estimam uma retomada do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil para 4% em 2013 e IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 5,5 ao ano, enquanto a Selic deve caminhar para no máximo 8% ao ano, o que representaria uma alta de 0,75 ponto percentual na comparação com o atual patamar.

EUA devem crescer, mas China exige cautela
Por sua vez, os Estados Unidos também devem trazer uma boa resposta da economia no próximo ano, com crescimento do PIB entre 2,0% a 2,5%, se o abismo fiscal se mostrar gradual e não tão intenso, enquanto a taxa de desemprego ficará entre 7,0% a 7,5% a.a..

Segundo eles, a adoção de um acordo para evitar o abismo fiscal será gradual, e não na virada do ano, e a resposta da economia norte-americana virá numa combinação entre crescimento e austeridade.

Já da Europa a boa notícia é que o “pior já passou, mas o melhor ainda levará tempo para chegar, enquanto a China exige uma atenção redobrada depois da drástica desaceleração da economia de 12% para 7,5%, e com “óbvio” reflexo sobre as commodities, apontam os analistas. 

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