‘Sem caixa’ e com queda de 80% em 6 meses, como a BR Pharma vai se salvar?

Analistas se mostram cada vez mais preocupados sobre a solvência da companhia, que reportou nos últimos cinco trimestres queima de caixa em seu balanço

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SÃO PAULO – Braço de varejo de farmácias do BTG Pactual, a Brasil Pharma (BPHA3) está inundada em problemas de gestão. Uma das maiores redes de farmácias do País, com 1.223 lojas, a companhia enfrenta um quadro generalizado de má integração de aquisições, estratégias equivocadas e falta de caixa, que levaram suas ações ao menor patamar histórico no mês passado. O mercado até tentou respirar mais aliviado em março, com o anúncio de que a Enéas Pestana & Associados, do ex-presidente do Pão de Açúcar, teria sido contratado para arrumar a casa, mas como o processo de reestruturação não é simples, o mercado ainda segue em dúvida se há uma luz no fim do túnel para a empresa. Nos últimos seis meses, as ações já caíram 80%.

Ontem à noite, a companhia reportou seu balanço do primeiro trimestre. O resultado, como esperado, veio ruim. Analistas do Bank of America Merrill Lynch e Brasil Plural ressaltaram que foi “mais um trimestre negativo”, com queda das vendas e queima de caixa de R$ 88 milhões no período após marcar um Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado negativo em R$ 39,3 milhões.

Números que conspiram para recentes rumores de mercado de que a companhia precisará fazer no curtíssimo prazo um aumento de capital. Isso porque as dívidas de curto prazo da companhia somam R$ 629,6 milhões mais custos e despesas trimestrais que totalizariam um montante próximo a R$ 857 milhões, enquanto sua posição de caixa está em R$ 12 milhões. Uma conta que não fecha e aumenta cada vez mais as preocupações sobre a solvência da companhia, que reportou nos últimos cinco trimestres queima de caixa em seu balanço.  

Ou seja, a empresa terá que tomar alguma atitude logo. Expectativas sobre um aumento de capital e/ou venda de ativos começam a pipocar em relatórios de grandes bancos e corretoras.  A própria companhia já disse, no final de abril, que estuda soluções para equalizar sua estrutura de capital e que seriam analisadas dentro dos próximos 30 dias – prazo que iria até final de maio. O que significa que nos próximos 15 dias alguma alternativa será dada pela empresa.

Em relatório de hoje, o BofA fala que não descarta aumento de capital ou mais alavancagem se a geração de caixa livre não voltar para um patamar positivo no próximo trimestre, enquanto o Brasil Plural estima que a Brasil Pharma precise de uma injeção de capital de pelo menos R$ 500 milhões para substituir a antecipação de bonds e rebalancear sua estrutura de capital. “A potencial criação do valor para os minoritários vai depender do tamanho e dos termos do aumento de capital”, comentaram Guilherme Assis e Fernanda Oliveira, analistas do banco. Semanas atrás o JPMorgan também apontava sobre a necessidade de aumento de capital. 

Segundo uma fonte que pediu anonimato, pessoas mais próximas da empresa tem defendido essa tese, de que a empresa poderá se valer de uma nova rodada de aumento de capital, que seria feita acima do valor de mercado para não prejudicar os minoritários e/ou a venda de ativos. Rumores que vão em linha com o bom momento do setor, à exemplo de que ocorreu com a Raia Drogasil (RADL3) e o noticiário indicando interesse de grupos estrangeiros no setor.