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SÃO PAULO – “O Federal Reserve provavelmente irá reconhecer que o ritmo da deterioração econômica está desacelerando (porque está) sem prometer que a prosperidade está na esquina (porque não está). Nós vemos que o compromisso com taxas baixas e flexibilização quantitativa irá permanecer”.
O comentário conciso do economista do banco UBS, Paul Donovan, condensa com clareza as expectativas do mercado em relação à reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), que termina na tarde desta quarta-feira (29).
Manutenção da taxa
Assim como nos encontros anteriores, os analistas esperam a manutenção da taxa básica de juro nos patamares atuais, na faixa entre 0% e 0,25% ao ano. “O Fed provavelmente irá repetir seu vago comprometimento em manter as taxas em níveis excepcionalmente baixos por um longo período”, observa a equipe de análise do Société Générale.
O banco completa que, para reforçar esse compromisso, o Fed pode optar por ligar esse período a variáveis econômicas específicas como a taxa de desemprego, inflação ou imobiliário. “Ou fixar um período específico, como o Banco do Canadá fez na semana passada”, ressalta.
Sobre o período em que essas taxas permanecerão em patamares baixos, os analistas do Danske Bank afirmam que a aplicação da regra de Taylor sugere manutenção do juro básico inalterado até 2010.
Pontos a serem notados
Embora haja um consenso sobre a decisão de manutenção do juro básico na faixa atual, a nota da reunião deve trazer outros comentários a serem observados pelo mercado, além de haver a possibilidade de novas medidas de flexibilização quantitativa.
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Atividade econômica – Em congruência com o comentário de Donovan, os analistas do Société Générale acreditam que “o Fed pode reconhecer a manifestação de sinais de estabilidade e melhoras nos setores financeiros, mas deve também falar sobre as constrições em curso, com riscos potenciais para a economia”.
Mais especificamente, do lado positivo o Fed pode considerar a melhora nos mercados acionários desde a sua última reunião, em março, além dos resultados de indicadores divulgados recentemente, principalmente em relação aos gastos dos consumidores e ao mercado imobiliário. Do lado negativo, o foco fica com o mercado de trabalho.
Inflação – “O comunicado provavelmente irá reiterar que há ‘riscos de que a inflação possa persistir por um tempo abaixo das taxas que melhor fomentam o crescimento da economia e a estabilidade dos preços no longo prazo”, indicam os analistas do Danske Bank, citando comunicados passados do Fed.
Conforme a análise da instituição, o comunicado da autoridade monetária norte-americana deve apresentar um equilíbrio entre os compromissos de manter a estabilidade dos preços e de combater a crise financeira, com diversos membros do Fomc já abordando estratégias de saída para as medidas anticrise adotadas.
Flexibilização quantitativa – Em relação ao anúncio de mais medidas, os analistas parecem concordar que não haverá novidades. “Contudo, é provável que o comunicado deixe a porta aberta para aumento da flexibilização de crédito caso seja necessário mais para frente”, ressaltam os analistas do Danske.
Para o Société Générale, o Fed também não deve expandir as medidas já existentes, principalmente em relação à compra de ativos lastreados em empréstimos. Porém, há a possibilidade de que a compra de Treasuries seja aumentada, já que os US$ 300 bilhões anunciados são “modestos e não estão funcionando”.
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Pode desapontar
No geral, o Société Générale ressalta que os membros do Fomc devem discutir a realidade dos green shoots (como são chamados os primeiros sinais de recuperação de uma economia), algo que pode gerar decepção no mercado.
“Há uma tentação de explorar os green shoots, mas nós suspeitamos que o comunicado do Fomc será cauteloso em relação à perspectiva de crescimento e isso poderia ser uma decepção aos investidores”.