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SÃO PAULO – Apesar das expectativas de vendas melhores nos próximos trimestres, o Brasil Plural prefere manter visão de cautela para as ações do setor de varejo. Das cinco empresas do seu universo de cobertura, Lojas Renner (LREN3), Hering (HGTX3), Lojas Marisa (AMAR3) e Guararapes (GUAR3) têm recomendação equal-weight (desempenho em linha com a média do mercado), ao passo que Restoque (LLIS3) é a única com classificação underweight (desempenho abaixo da média).
Para os analistas Guilherme Assis e Ruben Couto, da corretora, “aparentemente o recente sell-off não foi drástico o suficiente para gerar oportunidade de compra” no setor. Um “sell-off” é quando investidores optam por vender rapidamente os ativos que possuem em determinado momento, geralmente após uma notícia (ou expectativa) negativa. No acumulado do ano, o índice ICON, que compila as ações das varejistas, sobe 4,7%, enquanto o Ibovespa registra queda de 9,61% no mesmo período.
Eles esperam alguma melhora em relação às fracas vendas do segundo trimestre, mas apontam que o potencial de avanço deve ser de curta duração com o rendimento das famílias mais apertado e o significativo endividamento da população ainda pressionando as vendas.
Diante disso, os analistas reiteraram suas recomendações para as ações das varejistas, acreditando que a recente melhora não irá trazer mudanças nos fundamentos.
Eles ainda veem pressão adicional nas margens, por conta da depreciação do real frente ao dólar, com Restoque como a mais exposta ao risco do câmbio, enquanto o programa do governo “Minha Casa Melhor”, que financia bens de consumo duráveis para o “Minha Casa, Minha Vida”, deve favorecer mais “durable goods” do que os itens discricionários, o que não contribui em nada para as varejistas de vestuário no curto prazo.