Para economista

Selic a 13,75% é muito? BC deve elevar ainda mais, mas corre o risco de cair no “exagero”

Segundo diretor da Ativa Wealth Management, ainda não dá para saber quando o BC irá reduzir o ritmo de alta da Selic, mas isso já poderia ter ocorrido

arrow_forwardMais sobre
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – O Banco Central não surpreendeu nesta quarta-feira (3) e decidiu elevar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 13,75% ao ano, voltando ao mesmo patamar de dezembro de 2008. Uma decisão que já estava precificada por boa parte do mercado. Pelo comunicado, o BC deixa as portas abertas para novas altas. 

“Essa alta já estava precificada e o BC preferiu nesse momento não se comprometer com uma decisão futura e deixar a porta aberta para novas revisões”, comentou o diretor da Ativa Wealth Management, Arnaldo Curvello. 

Segundo ele, ainda não dá para saber quando o BC irá reduzir o ritmo de alta da Selic, mas isso já poderia ter ocorrido. “Se ele tivesse sinalizado que iria parar nessa reunião, acho que não teria uma repercussão tão negativa do mercado. Seria visto como natural, dado os recentes indicadores macroeconômicos, que apontam para recuo da atividade”. 

Aprenda a investir na bolsa

Para Curvello, o governo está muito otimista com a retomada da economia brasileira em 2016 e isso pode levar a uma frustração futura. “Temos que administrar se não estamos exagerando na dose. Os dados da atividade têm surpreendido negativamente. Não dá para levar a inflação de 8% para o centro da meta em 4,5% de uma vez só. Esse cenário [de inflação elevada] foi criado por ele mesmo”, comentou. Atualmente, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) está em 8,17% no acumulado de 12 meses. 

E os investimentos em Bolsa, como ficam?

Para o economista, o Brasil entrega uma taxa de juros bastante elevada e livre de risco, levando a um desestímulo da economia real. “Você tem que estar muito confiante para se arriscar em algum ativo em Bolsa”, comentou. 

Segundo ele, o investimento no mercado de ações fica complicado nesse patamar, ainda mais quando se tem a oportunidade de comprar títulos públicos isentos de imposto de renda. “O custo de oportunidade é muito grande, enquanto a renda fixa já entrega um retorno para lá de satisfatório. O Brasil é um presente para o investidor, com um juro real de 6% a 6,5% ao ano no longo prazo”, comentou.